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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os cadernos da RBS

Deu no Cloaca News, e copio integralmente aqui, no Pensamento Diverso. Bela aula de jornalismo (Cloaca) e anti-jornalismo (da RBS). Clica no título pra abrir no blog original.

OS ESCRITOS SECRETOS ACHADOS NO LIXO DE ZERO HORA

No dia em que o tablóide gaúcho Zero Hora chegava às bancas com uma espetacular matéria acerca de um "novo caderno dos sem-terra", com anotações secretas que revelariam as "estratégias" do MST, a Unidade Roto Rooter de Reportagem deste Cloaca News passava pela rua lateral à sede daquele diário - curiosamente, Rua Zero Hora - quando teve sua atenção chamada por um enorme latão, cheio de embalagens gordurosas de pizza e papéis picados. Estacionamos nosso Cloacomóvel diante do recipiente e, burlando o aparato de segurança daquela organização, recolhemos a esmo o que foi possível. De volta à nossa redação, pudemos, enfim, avaliar todo o papelório. Entre o material recolhido estava um caderno escolar, de capa alaranjada, com 26 páginas escritas à mão, contendo anotações do que parece ser o resultado de uma reunião de pauta daquela gazeta, ocorrida dias antes. Sob o título "Linhas Gerais", podemos presumir que tratam-se de diretrizes editoriais que valem "p/ ZH, DSM e Pioneiro", ou seja, Zero Hora, Diário de Santa Maria e O Pioneiro, de Caxias do Sul, os três principais veículos impressos do Grupo RBS no Rio Grande do Sul. Alguns nomes estão grafados por iniciais, como YRC, por exemplo. Coincidentemente, as três letrinhas formam as iniciais da tucana Yeda Rorato Crusius. Há também referência a um certo "P.S.", em que se cobra dele uma "carta bimestral". Verificando o histórico epistolar do colunista Paulo Santana, que vira e mexe troca correspondência com YRC, imaginamos ser este o personagem da anotação. Clique para ampliar.
Nesta outra imagem (abaixo), sugere-se que "LM" repercuta "RO" e "vice-versa". O tópico trata de uma eventual "sinergia" entre os vários veículos do grupo. "LM" seria Lasier Martins, da Rádio Gaúcha e do Jornal do Almoço, na RBS TV. "RO", ao que tudo indica, é a colunista joão-ninguém de ZH, Rosane de Oliveira. Outra sigla é "TG", supostamente, o Ministro da Justiça e pré-candidato ao governo estadual Tarso Genro. Pelas instruções editoriais, deve ser atribuída a ele toda a responsabilidade por qualquer "vazamento". Não nos parece, nesse caso, que estejam tratando de problemas hidráulicos.
. . Bastante elucidativa, igualmente, a página dedicada à cobertura do MST. Amplie. . Tanto quanto o caderno "jogado em uma lata de lixo no estacionamento do Incra", apresentado por Zero Hora, que "permite que a sociedade conheça o que o movimento [MST] pensa sobre assuntos estratégicos", este odorante achado do Cloaca News permite que a sociedade conheça o tipo de jornalismo praticado pela corporação hegemônica, sob o báculo da famiglia Sirotsky, com a cumplicidade de sua devotada matilha.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Quem mandou a Ford embora do RS?

Meu colega de blog e amigo Jean Scharlau escreveu um belo artigo, em resposta a outro colega e amigo (Eugênio Neves) que acredito ser necessário que se divulgue, a bem da verdade. Com seu texto sempre bem humorado, Scharlau expõe um pouco das entranhas de questões que a grande mídia escondeu, a bem de seu próprio (a direita ideologizada) proveito. Clique AQUI para ler o texto em sua origem (blog do Jean Scharlau), ou se preferir, leia a seguir:

E então a Mídia de Montagem criou o Caso Ford

Já por duas vezes o Eugênio Neves propôs, a mim e a quem estiver aí para escutar, a seguinte questão. "A mídia local sempre foi hostil às idéias de esquerda e aos partidos do campo popular, particularmente o PT. Mas o primeiro grande confronto entre a Frente Popular no governo do estado e a mídia foi na questão da Ford. [...] Não houve obstáculo material ou ético (esse nem se fala), que eles não transpuseram para atacar e desinformar, sinteticamente no infame e simplório bordão "O Olívio mandou a Ford embora", a manipulação e a mentira mais deslavada eram o "cardápio" diário servido à população pela mídia. Qualquer jornal, rádio ou televisão, de qualquer empresa, sempre continha uma dose de "veneno", inoculado pacientemente na opinião pública, no âmbito de uma campanha que tinha o claro objetivo de desgastar a Frente Popular. Não havia hora ou lugar onde essa hostilidade não se fizesse sentir. Essa campanha, apesar de primária, foi tão bem sucedida que o PT até hoje sente seus efeitos e ainda não conseguiu produzir um antídoto para neutralizá-la." Para que ele não me proponha pela terceira vez a questão, tentarei respondê-la antes que o galo cante. No meu modo de pensar, a única resposta possível a essa falcatrua é a que se deve dar a todas as falcatruas - jogar a mais torrencial e límpida verdade sobre a sujeira toda. E a verdade, primeira e única neste caso, é: os que acusaram Olívio e o PT, com milhares de artigos xerox, centenas de papagaios de microfone e dezenas de reflexos de teleprompter, esses é que mandaram a Ford embora. Sim, Olívio estava lá e teve a oportunidade, mas não tinha o motivo e nem há provas de que tenha cometido o crime. Sua motivação era exatamente a contrária - sabia que era importantíssimo politicamente para si e para a Frente Popular que a Ford se instalasse, de forma que o "negócio " ficasse "bom para os dois lados" - no caso, para a Empresa e para o Estado - como fizera com a GM. Maigret então nos pergunta (retoricamente): - quem mais estava lá? Quem mais teve a oportunidade? E, mais importante: quem tinha motivo para querer matar a Ford no RS? E nos responde. Elementar meus caros Sherlockes - todos os meganhas, gorilas neo liberais do PSDB=PFL=PP=PPS=RBS. Estavam lá naquele momento histórico, construiram a possibilidade e engendraram o crime por dois principais motivos: 1 - seria uma profunda e ampla perda política para eles deixar o povo ver um governo socialista dar ao big business que arquitetaram, à menina dos seus olhos, muito melhor conclusão que eles - isso seria uma imensa vitória política da esquerda - a comprovação de que ela, além de tudo o mais, também é melhor negociante que a direita, coisa que depois o governo Lula viria a provar. 2 - Era indispensável criar um fato político negativo para o primeiro governo socialista pós Brizola no RS, preferencialmente assim, já no seu início - então tramaram o assassinato da Ford no RS e a culpa para Olívio e o PT. Colocando a tramóia em marcha Primeiro passo - impingir à vítima, diante da multidão, a culpa prévia: "O Olívio e o PT querem mandar a Ford embora!" - com acusações massivas e diárias. (Os "culpados prévios" foram pegos de surpresa, suponho, ou então subestimaram o inimigo, e então em vez de denunciarem os golpistas, em vez de acusá-los de que, eles sim, queriam criar o fato criminoso, apenas defendem-se, desmentem, negam, como se os outros tentassem somente criar uma impressão errada, uma acusação fantasiosa. E assim, quanto mais a fantasia crescia, mais os "prévios acusados" se defendiam e negavam e desmentiam... O objetivo dessa tática, agora parece óbvio, era preparar o terreno para que quando perpetrassem o "crime" (o que já tinham bem planejado) bastaria que dissessem: "- viram? Nós estávamos certos e denunciamos desde o princípio: era isso mesmo que o PT queria." E estariam livres da culpa, pois já tinham criado um "culpado" perante a multidão. ...E foi exatamente assim que fizeram. Uma técnica nazista, diga-se de passagem, muito bem assimilada pelo Judeu da Zona Sul. Pensando bem, já havia sido usada pelos fariseus há 2000 anos, contra o Homem que atrapalhara suas negociatas no Templo.) Segundo passo - acionar seus comparsas nos executivos federal, estadual e no Congresso (onde eram ampla maioria) para mudar e criar as leis necessárias. Terceiro passo - Oferecer à empresa muito mais grana e isenções fiscais para ir para outro estado - no caso a Bahia, do comparsa ACM. Quarto passo - Conclusão com punhal de ouro: os carrascos daqui posariam de profetas e eternas vítimas e os do governo federal e baiano de salvadores da Pátria, argumentando que teriam impedido a Ford de ir para outro país. Assim, Eugênio, a única resposta possível e correta a esses que seguem acusando o PT e Olívio de terem mandado a Ford embora é desmascará-los, pois há três possibilidades para eles: são os próprios criminosos, são cúmplices, ou são os trouxas que compraram, caríssimo, a versão em série, o Caso Ford da Mídia de Montagem. Em qualquer dos três casos é imperativo que se lhes aponte o dedo indicador e diga com direito a todas as letras: - FORAM VOCÊS QUE MANDARAM A FORD EMBORA.