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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A CIA e a mídia

Notícia veiculada no Agente 65. O grifo (negrito) é por minha conta...

Podres poderes

A CIA continua conspirando como na década de 70
O site venezuelano Aporrea divulgou ontem uma informação bombástica. O site divulgou um memorando da CIA do dia 20 com informações sobre a situação no país e a provável vitória do "sim" no plebiscito de alteração constitucional promovida por Chávez. Mas o mais importante é o que vem a seguir, o embaixador recomenda ao diretor da agência americana que o "Plano" continue em ação para que as deserções governamentais continuem e a diferença pró "sim" fique pequena o suficiente para colocar em dúvida a votação e novoas agitações tomarem conta do país. O Plano Tenaza prevê uma concatenação com as agências de notícias de todo mundo e articula que todos votem e permaneçam nos locais de votação para manifestarem-se. Mostra ainda contatos periódicos de emissários americanos com lideranças de partidos de oposição, bem como estudantis. Ao final, adverte que uma das contas para remessa de dinheiro está sendo monitorado pela contra-espionagem e que outras formas de financiamento a operação na Venezuela No blog Na Periferia do Império há um vídeo revelador complementanto estas informações.

sábado, 28 de abril de 2007

Concessão da RCTV

Lá no SIVUCA tá rolando uma discussão bem interessante, sobre a concessão da RCTV, da Venezuela. Deixei lá minha opinião (nesse momento é a última publicada), e transcrevo aqui pros leitores do PENSAMENTO DIVERSO (com pequenas correções). Vale a pena passar lá e conferir as outras respostas. Aliás, sempre vale a pena passar lá. O SIVUCA, pra qem não sabe, é o Sistema de Muvuca na internet, sistema onde o pensamento único da mídia não exerce sua hegemonia, e os participantes são todos que querem ver uma mídia independente e libertária, que forme e informe cidadãos conscientes. O SIVUCA não tem a pretensão de dizer a verdade, mas quer dar a chance ao contraditório. Segue a referida transcrição:

A RCTV deve ou não perder a concessão?

Desde que Hugo Chávez foi eleito presidente da Venezuela, em 1998, com 56% dos votos, enfrentou a oposição da mídia local. Em 2000, Chávez foi reeleito depois de promulgada a nova Constituição, com 59% dos votos. Precedendo o golpe de abril de 2002, as cincos principais emissoras do país - dentre elas a RCTV - fizeram campanha para mobilizar a população contra Chávez. Depois do referendo de 2004 - em que 59% dos eleitores mantiveram Chávez no poder - algumas emissoras mudaram sua linha editorial. Jornalistas e entidades que defendem a liberdade de imprensa e alguns observadores internacionais criticam Chávez por atacar pessoalmente jornalistas que criticam o governo. Dizem também que, se fosse para cassar as emissoras ditas "golpistas", deveria tirar todas do ar. A decisão foi anunciada em 2006, quando Chávez saiu fortalecido da reeleição com 62% dos votos. A RCTV é a emissora mais antiga da Venezuela, emprega 3 mil pessoas e, de acordo com o governo, não terá sua concessão renovada - o vencimento será no dia 27 de maio. Qual é a sua opinião?

:: Comentários
Leandro Rodrigues blogsimpa.zip.net / pensamentodiverso.blogspot.com
28/04/2007 - 02h 52m Acho até que sim! Pode parecer - aos olhos dos que respiram o ar que o sistema lhes libera - que é restrição de liberdade. Mas o que é quando lhe manipulam, quando quem - tão vítima quanto suas vítimas, e tão algoz quanto seus algozes - deveria dar informação para a população discernir sobre fatos, nega-nos esse direito e, acima de seu dever de bem informar resolve criar realidades? Estamos tão imersos nas engrenagens capitalistas que não percebemos estarmos já - o globo inteiro - refém de um grande e ilimitado poder, vulgarmente chamado "capital". O capital é uma entidade abstrata em cujo nome cometem-se ferozes atrocidades, que para seus operadores e analistas traduzem-se em cifras e balancetes. Este enorme poder tem boca, vulgarmente chamada "mídia corporativa". É essa boca que doutrina as multidões pelo mundo, que inicia um processo lento de digestão dessas massas (com o perdão pelo trocadilho). Qualquer iniciativa no sentido de suavizar esse poder, de iniciar um gradual incremento de auto-estima nos seres humanos é não só benvinda, mas precisamente necessária. Essa boca ufana-se há muito de ser o único poder verdadeiro. O poder público não tem legitimidade de ser exercido, ou melhor, "exerça-se onde me for conveniente" - transmitiria a imprensa, representante desse "capital"; mas ela própria concede-se a prerrogativa de declarar inocência, de julgar-se e, mais que isso, passar de réu à vítima ao custo de algumas páginas, editoriais e reportagens especiais. É hora de despertar, de impor alguns limites a esse gigante, a fim de garantir a sobrevivência de ambos. E Chávez cumpre seu papel nesse contexto afirmando que sim, tem legitimidade pra mostrar pro seu povo que podem viver sem a RCTV, que ninguém é propriedade alheia, e que todos os cidadãos tem potenciais que merecem ser desenvolvidos, em vez de serem tratados como autômatos alienados que seguem inadvertidamente seus controles remotos. Assim espero...

domingo, 18 de março de 2007

Esse artigo achei no NovaE , e achei bom de divulgar. À leitura, então:

Nossa razão de ser

Marcelo Salles, do Fazendo Média
De vez em quando é bom voltar ao assunto e falar sobre a razão de ser desta pequena iniciativa de mídia alternativa. Ajuda a não perder o foco. E serve para esclarecer dúvidas, como a do caro leitor Allan Machado, que pergunta por que só criticamos a Globo e não falamos das outras emissoras.
Falamos, sim, Allan. Leia a matéria Viva a criança viva, por exemplo. Mas reconheço que a Globo aparece aqui com mais freqüência, por uma razão muito simples: trata-se da maior corporação de mídia brasileira. As Organizações Globo possuem mais de cem empresas e, segundo o Ibope, a TV Globo tem 40% da audiência e 70% das verbas publicitárias, números que já chegaram a 69% e 90%, respectivamente, durante a Copa do Mundo, de acordo com a própria emissora.
Portanto, não falar da Globo é impossível. Quem discute mídia e não considera esses números e seus significados, brinca de discutir mídia. Vou mais além: quem discute política sem levar este dado em conta, brinca de discutir política. Como escreveu o sociólogo e escritor Gilberto Felisberto Vasconcellos, no livro O Príncipe de Moeda: "Hoje, a crítica à dominação política é indissociável da crítica à indústria cultural sob a égide da TV Globo" (página 82, Editora Espaço e Tempo).
Isto por duas razões muito simples. A primeira refere-se à ilegalidade dessa situação, que fere o artigo 220 da Constituição Federal, cujo texto proíbe monopólio ou oligopólio nos meios de comunicação social. Ou seja, os piratas, os fora-da-lei são eles. A segunda pressupõe a compreensão de que a mídia tem a capacidade de moldar percepções, de influenciar escolhas, determinar padrões de comportamento, etc. Enfim, ela produz grande parte da subjetividade que vai influenciar a forma de viver dos indivíduos e, por extensão, das sociedades em que estão inseridos.
Para piorar, as únicas sete emissoras de TV abertas estão ideologicamente afinadas e operam num país onde apenas 26% do povo compreendem o que lêem, segundo pesquisa realizada em 2005 pelo Instituto Paulo Montenegro. Ou seja, a grande maioria está sujeita aos encantos de uma mesma linhagem de programação, produzida com os mesmos conceitos e a partir das mesmas fontes (estão aí as imagens repetidas do Oriente Médio que não me deixam mentir).
Por isso nosso foco é a democratização da comunicação. Para que uma sociedade seja democrática de fato é preciso que os distintos setores que a compõem tenham o mesmo direito de se expressar. Operários, camponeses, estudantes, sindicalistas, aposentados, associações de moradores, etc. Todos devem receber a mesma quantidade de verba publicitária pública destinada às atuais concessionárias, além da mesma qualidade do sinal. Não tem essa de uma emissora sintonizar melhor que a outra.
Somente quando esse equilíbrio estiver estabelecido será válido o argumento canalha de certos executivos pertencentes ao oligopólio que controla a mídia no Brasil. Quando a programação de suas empresas é criticada, eles costumam dizer: "Não gostou, muda de canal". Discurso este que não difere em sua essência do autoritarismo binário contido no "ame-o ou deixe-o" da ditadura. O que é bastante compreensível, levando-se em consideração que o Estado autoritário nasce atrelado à Rede Globo e assim permanece durante toda a sua existência.
Como registrou Eugenio Bucci, no livro Brasil em Tempo de TV: "O que temos hoje no Brasil, na era da globalização, é ainda o produto daquele velho projeto autoritário: a gente brasileira, condenada à desigualdade, com a pior distribuição de renda do mundo, é o país que vibra unido na integração imaginária: na Copa do Mundo, no final da novela, na morte do ídolo do automobilismo, na ’festa cívica’ das eleições presidenciais. Não por acaso, todos esses momentos de confraternização são espetáculos de TV" (página 17, editora Boitempo).
Agora, por exemplo, estamos assistindo ao espetáculo da manipulação de um crime bárbaro com o objetivo de pressionar por leis mais duras, pena de morte, redução da maioridade penal e todo o receituário neoliberal voltado para a população de baixa renda que porventura venha a cometer algum delito. A mídia constrói a imagem de que "apenas três anos" não são suficientes para que um jovem fique preso, como se desconhecesse todo tipo de barbaridade a que esses infelizes serão submetidos dentro da Febem ou dos presídios brasileiros.
Mas este é apenas um exemplo, entre tantos outros, como o sutil apoio editorial ao terrorismo de Estado promovido pelos EUA, as distorções nas informações relativas a países como Cuba, Bolívia e Venezuela, a sustentação de um pensamento único para o modelo econômico a ser seguido e a criminalização dos movimentos sociais organizados.
O que questionamos não é a existência de uma mídia que defenda essas posições. Afinal de contas, ela representa parte da sociedade brasileira. Mas não é possível que todas as emissoras de rádio e TV e todos os jornais de grande alcance e a esmagadora maioria das revistas estejam desse lado. É preciso haver pluralidade. E para que isso aconteça de maneira significativa, é preciso que o governo federal assuma essa responsabilidade. Por mais que setores da sociedade se organizem em torno de rádios comunitárias e outras iniciativas, somente a mobilização do Estado poderá garantir a verdadeira democratização dos meios de comunicação e, conseqüentemente, do país.
E, ressalve-se: assumindo a dianteira da democratização da mídia brasileira, o governo não estará fazendo mais do que sua obrigação. São verbas públicas que ele administra. São nossos impostos. Já é hora de perguntar: o governo Lula pretende cumprir suas promessas de implementar políticas nesse sentido ou foram discursos vazios de quem estava sendo fustigado durante as últimas eleições?
02.2007