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sábado, 11 de setembro de 2010

Livros de comunicação para baixar em PDF

Livros de comunicação para baixar em PDF
O Laboratório de Comunicação On-line (Labcom) está disponibilizando uma gama de livros de comunicação para os internautas baixarem em PDF gratuitamente no português de Portugal. Algumas obras são muito interessantes, veja as mais ligadas ao jornalismo:

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sábado, 31 de julho de 2010

Porque o terreno da FASE é importante para o ecossistema de Porto Alegre

O vídeo abaixo é uma entrevista concedida por Fernando Campos Costa, vice-presidente do Núcleo Amigos da Terra/RS, sobre os possíveis impactos que traria uma ocupação massiva no Morro Santa Teresa. A entrevista foi concebida inicialmente para a disciplina de Telejornalismo II, da FABICO/UFRGS, e foi adaptada para o blog Pensamento Diverso.

Porque o terreno da FASE é importante para o ecossistema de Porto Alegre from Leandro Rodrigues on Vimeo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os cadernos da RBS

Deu no Cloaca News, e copio integralmente aqui, no Pensamento Diverso. Bela aula de jornalismo (Cloaca) e anti-jornalismo (da RBS). Clica no título pra abrir no blog original.

OS ESCRITOS SECRETOS ACHADOS NO LIXO DE ZERO HORA

No dia em que o tablóide gaúcho Zero Hora chegava às bancas com uma espetacular matéria acerca de um "novo caderno dos sem-terra", com anotações secretas que revelariam as "estratégias" do MST, a Unidade Roto Rooter de Reportagem deste Cloaca News passava pela rua lateral à sede daquele diário - curiosamente, Rua Zero Hora - quando teve sua atenção chamada por um enorme latão, cheio de embalagens gordurosas de pizza e papéis picados. Estacionamos nosso Cloacomóvel diante do recipiente e, burlando o aparato de segurança daquela organização, recolhemos a esmo o que foi possível. De volta à nossa redação, pudemos, enfim, avaliar todo o papelório. Entre o material recolhido estava um caderno escolar, de capa alaranjada, com 26 páginas escritas à mão, contendo anotações do que parece ser o resultado de uma reunião de pauta daquela gazeta, ocorrida dias antes. Sob o título "Linhas Gerais", podemos presumir que tratam-se de diretrizes editoriais que valem "p/ ZH, DSM e Pioneiro", ou seja, Zero Hora, Diário de Santa Maria e O Pioneiro, de Caxias do Sul, os três principais veículos impressos do Grupo RBS no Rio Grande do Sul. Alguns nomes estão grafados por iniciais, como YRC, por exemplo. Coincidentemente, as três letrinhas formam as iniciais da tucana Yeda Rorato Crusius. Há também referência a um certo "P.S.", em que se cobra dele uma "carta bimestral". Verificando o histórico epistolar do colunista Paulo Santana, que vira e mexe troca correspondência com YRC, imaginamos ser este o personagem da anotação. Clique para ampliar.
Nesta outra imagem (abaixo), sugere-se que "LM" repercuta "RO" e "vice-versa". O tópico trata de uma eventual "sinergia" entre os vários veículos do grupo. "LM" seria Lasier Martins, da Rádio Gaúcha e do Jornal do Almoço, na RBS TV. "RO", ao que tudo indica, é a colunista joão-ninguém de ZH, Rosane de Oliveira. Outra sigla é "TG", supostamente, o Ministro da Justiça e pré-candidato ao governo estadual Tarso Genro. Pelas instruções editoriais, deve ser atribuída a ele toda a responsabilidade por qualquer "vazamento". Não nos parece, nesse caso, que estejam tratando de problemas hidráulicos.
. . Bastante elucidativa, igualmente, a página dedicada à cobertura do MST. Amplie. . Tanto quanto o caderno "jogado em uma lata de lixo no estacionamento do Incra", apresentado por Zero Hora, que "permite que a sociedade conheça o que o movimento [MST] pensa sobre assuntos estratégicos", este odorante achado do Cloaca News permite que a sociedade conheça o tipo de jornalismo praticado pela corporação hegemônica, sob o báculo da famiglia Sirotsky, com a cumplicidade de sua devotada matilha.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O jornalismo e a blogosfera

Artigo publicado no Observatório da Imprensa, sobre a relevância atual da blogosfera. Clique no título abaixo para visitar o original.

Os blogs são peça essencial no jornalismo contemporâneo apesar de críticas e questionamentos

Postado por Carlos Castilho em 01/10/2009 às 12:19:19 PM

A maioria dos jornalistas ainda resiste à idéia de que os blogs tendem a ser um componente obrigatório na atividade informativa. As restrições vão desde a questão da credibilidade até à caracterização dos blogs como veículos de opiniões pessoais e como ambiente para fofocas de bairro.

Embora essas restrições e questionamentos tenham algum tipo de fundamento, elas dificultam a percepção de uma realidade mais ampla, em que fica cada vez mais claro que sem os blogs a imprensa, como a entendemos hoje, deixa de ser viável para se transformar apenas numa newsletter para segmentos restritos do público consumidor de informações.

A inviabilidade da sobrevivência do modelo atual de produção de notícias vem do fato de que os jornais, rádios, emissoras de televisão e até as páginas noticiosas na Web não têm mais condições de cobrir, apenas com o seu staff, toda a ampla agenda de interesses do público.

É uma situação quase matemática. A agenda de interesses cresceu exponencialmente por conta da avalancha informativa gerada pela internet, ao mesmo tempo em que as receitas das empresas jornalísticas caíram vertiginosamente por conta da migração publicitária para a Web e da mudança de hábitos dos consumidores de notícias. A conta não bate.

A única alternativa que parece viável no momento é ver os blogs não como um obstáculo, mas como um componente do processo de produção de notícias jornalísticas. Mas para isto é preciso levar em conta algumas especificidades deste tipo de ferramenta de comunicação:

1) Os blogs têm duas características centrais: a temática local e a publicação de opiniões pessoais.

2) A preocupação com o local vem da própria natureza do blog, produzido em quase 90% dos casos por indivíduos cuja principal característica é conhecer bem uma área geográfica ou um determinado campo de conhecimento, hobby ou profissão. Em teoria, todas as duas áreas são de grande interesse jornalístico pelo potencial de produzir notícias.

3) O caráter opinativo dos blogs é uma decorrência da qualificação intelectual dos seus autores, em geral indivíduos que dominam muito bem determinadas áreas do conhecimento mas não podem ter a função testemunhal de um jornalista profissional ou de um blogueiro quando estes se encontram no local onde ocorrem os fatos. Aqui, também, em teoria, o blog opinativo pode ter uma função chave na contextualização de noticias jornalísticas.

Procurando ver a floresta e não apenas as árvores, é possível constatar que um blog local pode virar peça da informação global com a mesma importância, ou até maior, do que os correspondentes estrangeiros ou enviados especiais. Um blogueiro de Tegucigalpa faz jornalismo local ao publicar informações sobre a crise hondurenha, mas ganha status global quando suas informações servem de base para o material jornalístico Capa da Times sobre blogs em 2006da imprensa internacional.

Menosprezar os blogs alegando que eles só repercutem o que é publicado na imprensa convencional é ver apenas uma parte do problema, ignorar de onde vem a notícia nos dias de hoje e tentar preservar um certo ar elitista do jornalismo.

Visto nesta perspectiva, é absurdo descaracterizar o blog pelo fato de ser local e produzido por uma pessoa. O que a imprensa deveria fazer é cultivar de forma cada vez mais intensa e sistemática o que especialistas como o australiano Axel Bruns[1] chamam de gatewatching, em oposição ao gatekeeping.

Em vez de priorizar a seleção de notícias que serão passadas ao público (gatekeeping ou porteiro de noticias, uma função em extinção), os profissionais deveriam preocupar-se mais em procurar saber o que está sendo publicado nos blogs (gatewatching) para identificar fatos e tendências novas que serão usadas para informar leitores, ouvintes e telespectadores.

A outra grande questão é a da credibilidade dos blogs, um tema bem mais complexo porque mexe com valores vigentes há séculos e que se baseiam no principio de que determinadas pessoas ou instituições têm o poder de certificar o que é verdadeiro ou falso.

No contexto da avalancha informativa, os instrumentos tradicionais como checagem de notícias, imparcialidade, isenção e objetividade passam a ter cada vez mais um caráter relativo já que dificilmente uma redação terá condições de chegar à essência dos fatos dada a complexidade das notícias e o ritmo frenético de publicação das mesmas. A imprensa não pode mais garantir sozinha toda a verdade porque isto é materialmente impossível. O mesmo mecanismo se aplica aos blogs.

Assim, tanto os jornalistas como os consumidores de informação e os próprios blogueiros não têm outra alternativa senão apoiar-se na chamada leitura crítica, que não tem nada de pejorativo e nem está baseada na desconfiança. A leitura crítica, sobre a qual poderemos conversar mais noutro post, está fundamentada na dúvida gerada pela constatação acaciana de que ninguém é dono da verdade.

Se ninguém pode saber tudo, todos nós temos algo que desconhecemos, algo sobre o qual temos dúvidas. Ter dúvidas na atividade jornalística é adotar a leitura crítica como ferramenta para aumentar a credibilidade na informação.


[1] Bruns é o autor do livro Gatewatching, Collaborative Online News Production. Ele é professor de jornalismo e doutor em comunicação.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Essa notícia foi publicada no (excelente) Jornal Já, e vale o destaque:

Já viu processo por causa de apelido?

11/06/09

Por Ana Lúcia Mohr

Inspira revolta o processo do fotógrafo da Zero Hora Ronaldo Bernardi contra Wladymir Ungaretti, professor de jornalismo da UFRGS, cujo blog e site estão sob censura.

Quem já freqüentou suas aulas sabe que Ungaretti costumava madrugar para fazer seu exercício de crítica à mídia corporativa (www.pontodevista.jor.br/blog), que, mais tarde, era repetido numa sala da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação). Bernardi calhou de ser um dos criticados.

Mas então, cara leitora, caro leitor, você deve estar pensando que Ungaretti foi processado por denunciar as cascatas (fake, encenação, no jargão jornalístico) do fotógrafo, certo? Errado. Bernardi o processou por causa do apelido pelo qual Ungaretti o chamava (Fotonaldo). Detalhe: não foi o professor que o inventou. Sim, juro.

Liguei para a Zero Hora hoje de manhã e pedi para falar com o Ronaldo Bernardi. A mulher da recepção me passou para a editoria, onde um homem atendeu e passou para o fotógrafo. Este não quis falar sobre o processo (“meu advogado disse para eu não falar”, “o processo corre em segredo de justiça”). Insisti um pouco, mas não adiantou. Minutos depois, telefono novamente e peço para falar com o Fotonaldo. “Hãn”, ronronou a moça da recepção. “Ops, com o Ronaldo Bernardi”. Tudo certo. Ela me passa para a editoria do repórter.

- Alô, eu poderia falar com o Fotonaldo?

- Quem tá falando?

- Ana Lúcia, do Jornal Já

- Olha, ele saiu. Tá em pauta.

- Ok, obrigada.

Piada? Pois saibam que, por ter usado um apelido que todos os seus colegas conhecem, Ungaretti foi obrigado a retirar 10 anos de trabalho da web (além de atualizar o blog diariamente, ele disponibilizava mensalmente uma nova revista eletrônica em www.pontodevista.jor.br).

O desânimo por ter de tirar do ar 10 anos de trabalho e, principalmente, por estar impedido de usar a arma da crítica tem se manifestado nas aulas do professor. Não é preciso ser seu aluno para saber disto, basta acessar a página www.pontodevista.jor.br para ter idéia do baque. É que lá está um dos lemas de Ungaretti, resumido numa frase de John Reed: “Descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”.

Acessada em 24/06/2009. LSR

Sobre o blog Fatos e Dados (da Petrobras)

Um acontecimento ocorrido na blogosfera repercutiu fortemente nos mídias tradicionais do Brasil: a criação do blog da Petrobras. Você se pergunta: “Mais um blog. E daí?” Daí que a internet ainda é uma invenção jovem, há muito o que inovar, e a comunicação da Petrobras demonstra isso.

Envolvida em um jogo de forças que tem como foco a exploração de jazida de petróleo da plataforma Tupi, o chamado “pré-sal”, e as eleições gerais de 2010, a Petrobras tornou-se alvo de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para averiguar uma manobra contábil realizada para reforçar o caixa da empresa, entre outras justificativas. Os grandes jornais do país deram ampla cobertura ao assunto, mas sempre dentro do ponto de vista do veículo, o que nem sempre representa todas as posições de nossa complexa e heterogênea sociedade, e certamente difere do entendimento da própria Petrobras. Partindo desse princípio, e buscando aproximar-se da população brasileira, a equipe de comunicação da companhia resolveu criar um blog: o “Fatos e Dados” (PetrobrasFatoseDados.wordpress.com).

Talvez mesmo sem ter idéia da repercussão desse ato, o blog publicou perguntas feitas pelo jornal “O Globo”, e as respectivas respostas, antes até de sua publicação no jornal. Ou seja, o jornal sofreu um “furo” da própria fonte. Realmente, é o primeiro grande caso em que um jornal sente-se intimidado pela fonte, e reivindica proteção. A estratégia funcionou, os jornais alimentaram a polêmica, e o blog da Petrobras é um sucesso na internet.

Esse fato é cheio de simbolismo e significados. Tem evitado muitas distorções nas respostas publicadas, pois virtualmente elimina a mediação dos grandes jornais entre a fonte e o público, mas acima de tudo essa iniciativa é inovadora, pois é pioneira na utilização dessa ferramenta como instrumento oficial de comunicação institucional. Mas a comunicação da Petrobras vai ainda além. Porque pode, e há verba para isso, tem patrocinado links em alguns jornais que publicam matérias sobre o caso. Esses links remetem à página do blog, e dessa forma o leitor online do jornal conhece e tem acesso à outra fonte. Nesse caso, à visão da Petrobras. A equipe de comunicação também passou a monitorar os diversos veículos de notícias, e tem respondido através do blog. O que no passado era papel do porta-voz, hoje é desempenhado, com mais eficiência, pelo blog.

Mas ao mesmo passo em que isso é salutar, pois dá espaço ao contraditório, pode estar sinalizando não apenas que está havendo um equilíbrio na balança, mas também que a disputa nas mídias tende a se deslocar para a internet. Muitos formadores de opinião têm preferido informar-se online, seja em sites de grandes jornais, seja em blogs alternativos, e há tendência de crescimento. A interatividade também aqui mostra seu poder, pois várias notícias são alertadas a partir de sugestões em comentários de notícias. Talvez até algumas das estratégias do blog, como patrocinar links, podem ter surgido ali.

Há uma nova mídia funcionando, e tudo indica que a mudança é irreversível. O advento da internet tem dado às informações velocidade compatível com sua relevância, e há muito tempo carecemos de credibilidade. Por outro lado, a blogosfera há muito tem se mostrado um canal eficiente de comunicação, com participação e interação do público leitor. Todas essas constatações, mais a hostilidade das mídias tradicionais (que se traduz em preconceito aos blogs) parecem indicar que os jornais que não adequarem seu conteúdo editorial aos novos tempos se tornarão em pouco tempo extintos. Esse caso pode até não servir como padrão para outros, mas já é um marco para o jornalismo e relações públicas no Brasil. Fico feliz de viver esse momento, de poder interagir nessa mudança. De qualquer forma, estamos diante de uma nova era na imprensa. Definitivamente, estamos entrando na era da informação.