quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A CIA e a mídia

Notícia veiculada no Agente 65. O grifo (negrito) é por minha conta...

Podres poderes

A CIA continua conspirando como na década de 70
O site venezuelano Aporrea divulgou ontem uma informação bombástica. O site divulgou um memorando da CIA do dia 20 com informações sobre a situação no país e a provável vitória do "sim" no plebiscito de alteração constitucional promovida por Chávez. Mas o mais importante é o que vem a seguir, o embaixador recomenda ao diretor da agência americana que o "Plano" continue em ação para que as deserções governamentais continuem e a diferença pró "sim" fique pequena o suficiente para colocar em dúvida a votação e novoas agitações tomarem conta do país. O Plano Tenaza prevê uma concatenação com as agências de notícias de todo mundo e articula que todos votem e permaneçam nos locais de votação para manifestarem-se. Mostra ainda contatos periódicos de emissários americanos com lideranças de partidos de oposição, bem como estudantis. Ao final, adverte que uma das contas para remessa de dinheiro está sendo monitorado pela contra-espionagem e que outras formas de financiamento a operação na Venezuela No blog Na Periferia do Império há um vídeo revelador complementanto estas informações.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Saideira - Encontros periódicos com o jornalismo

Nesta terça-feira (30), a partir das 19h30min, ocorre mais uma edição da Saideira, no Bar Zelig (Sarmento Leite, 1086, Cidade Baixa). Na pauta, a blogosfera. Para debater o tema, foram convidados Hélio Sassen Paz (blogueiro e mestrando em Ciências da Comunicação) e César Schirmer (blogueiro e doutorando em Filosofia). Eles estão encarregados de debater quais as vantagens e desvantagens dos blogs, onde entra a ética nesta história, quais os rumos e como a grande mídia está convivendo com este novo meio. A realização é da ALICE (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação) em parceria com a CATARSE Coletivo de Comunicação e apoio do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul. Quem puder, apareça.

Recomendo especialmente a meus colegas da FABICO. Eu, pessoalmente, pretendo comparecer (se as circunstâncias mo permitirem).

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Reverse Graffiti : Ossario : Alexandre Orion

Esse vídeo encontrei em minhas inserções pela blogosfera, e é mais uma prova de que somos um potente instrumento de transformação do cenário dos meios de comunicação de massa. Muito interessante! Catei do "Saiu Gosminha", que por sua vez repercutiu de "O Velho".

Graffiti Reverso

Clique AQUI para assistir direto no YouTube.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Esse sim, é de Victor Hugo

"Logo mais, na restauração, Uma bandeira tremulará em toda parte, ao lado de todas: A da Paz; Um idioma se falará junto aos demais: O da Fraternidade; Um ideal se fará presente no meio dos outros: O do progresso; Uma Religião única estabelecerá a ponte de união entre o Homem e Deus: A do Amor Universal...." (Victor Hugo)
Publico esta citação para chamar a atenção a uma grande injustiça cometida neste blog. O poema "Desejos", que não é Desejos e sim "Os Votos" não é de autoria de Victor Hugo, e sim de Sérgio Jockymann, jornalista gaúcho de Palmeira das Missões. Veja aqui a errata.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Antologia de poemas reunidos por Che Guevara será publicada

Antologia de poemas reunidos por Che Guevara será publicada

O conhecido "caderno verde de Che", no qual o revolucionário argentino reuniu uma antologia de poemas de autores ibero - americanos, será publicado pela editora Planeta, informou hoje o escritor mexicano Paco Ignacio Taibo II, que escreverá o prefácio da edição.

"Quando Che é preso (na Bolívia) e o levam para La Higuera, há um momento em que os dois agentes da CIA que estão ali e o G2 (serviço de inteligência militar) boliviano revistam o conteúdo de sua mochila (...) e encontram os diários, o caderno de códigos para se comunicar com Havana e um caderno verde", contou o escritor.
Cópias desse caderno, que foi guardado junto com outros documentos em uma caixa-forte pelos serviços secretos da Bolívia, chegaram há dois anos às mãos da editora Planeta, que encarregou Taibo II, que em 1997 escreveu uma biografia de Che, de autenticar e analisar o material. O caderno continha poemas sem título ou autor, motivo pelo qual, a princípio, Taibo II chegou a pensar que tivessem sido escritos pelo próprio Che. Aos poucos, o escritor foi reconhecendo alguns dos textos e concluiu que a descoberta "era, evidentemente, uma antologia, era sua própria antologia". Os 69 poemas reunidos no livro pertencem ao chileno Pablo Neruda, ao cubano Nicolás Guillén, ao peruano César Vallejo e ao espanhol León Felipe.
Taibo II acredita que os versos tenham sido copiados textualmente por Che Guevara durante sua campanha na Bolívia, entre novembro de 1966 e outubro de 1967, quando foi assassinado.

Os Votos *

Sérgio Jockymann*

Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil, Mas não insubstituível. E que nos maus momentos, Quando não restar mais nada, Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância, Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem, Não amadureça depressa demais, E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra, Com o máximo de urgência, Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato, Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro Erguer triunfante o seu canto matinal Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja, E acompanhe o seu crescimento, Para que você saiba de quantas Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele Na sua frente e diga "Isso é meu", Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por você, Mas que se morrer, você possa chorar Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem, Tenha uma boa mulher, E que sendo mulher, Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, E quando estiverem exaustos e sorridentes, Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer, Não tenho mais nada a te desejar

*corrigido em 15/10/2007 a partir de depoimento deixado pelo atento leitor Pinheiro. Publicado inicialmente (e difundido pela internet) como "Desejos", de Victor Hugo, este belo poema é de um gaúcho de Palmeira das Missões. Valeu!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Afinal, qual é a verdade sobre o 11/9?


Texto que li no "Vozes do Sul", e achei legal repercutir aqui, no PENSAMENTO DIVERSO:

Robert Fisk: Até eu questiono a verdade sobre o 11/9

Artigo do jornalista Robert Fisk para o Independent, traduzido para o portal Vermelho. Leia aqui a versão original em inglês.

Até eu questiono a “verdade” sobre o 11/9

Toda vez que faço uma palestra sobre o Oriente Médio tem sempre alguém na platéia — apenas um — que eu chamo de ''raivoso''. Desculpem-me aqueles homens e mulheres que vão até minhas palestras com questões brilhantes e pertinentes — na maioria das vezes muito deferentes para mim como jornalista — e que mostram que sabem sobre a tragédia do Oriente Médio muito mais que os jornalistas que cobrem o assunto. Mas o ''raivoso'' é real. Ele toma a forma física tanto em Estocolmo quando em Oxford, tanto em São Paulo quanto em Ierevan, no Cairo, em Los Angeles e, na forma feminina, em Barcelona. Não importa o país, sempre haverá um raivoso.


A pergunta dele — ou dela — é mais ou menos assim. Por que, se você se diz um jornalista livre, não relata o que realmente sabe sobre o 11 de setembro? Por que você não conta a verdade — que a administração Bush (ou a CIA, Mossad, sabe-se lá o quê) explodiu as torres gêmeas? Por que você não revela os segredos por trás do 11 de setembro?


A convicção em cada pergunta é que Fisk sabe — que Fisk tem um absoluto, concreto, cofre de metal que contém a prova final do que ''todo mundo sabe'' (essa é a frase usual) quem destruiu as torres gêmeas. Algumas vezes o raivoso está claramente estressado. Um homem em Cork gritou sua pergunta para mim, daí — no momento que sugeri que sua versão do plano era um pouco ímpar — ele deixou a platéia, xingando e chutando as cadeiras que via pela frente.


Geralmente, tento dizer a ''verdade''; que, enquanto existem questões não respondidas sobre o 11 de setembro, eu sou o correspondente do The Independent, não o correspondente conspiratório; que eu vejo muitas maquinações concretas às minhas mãos no Líbano, no Iraque, na Síria, no Golfo, etc, para me preocupar sobre planos imaginários em Manhattan. Meu argumento final — um nocaute, no meu ponto de vista — é que a administração Bush ferrou tudo — do ponto de vista militar, politico e diplomático — que tentou fazer no Oriente Médio; então, como na Terra essa administração poderia realizar com sucesso os crimes internacionais contra a humanidade nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001?


Bem, eu ainda defendo esse ponto de vista. Qualquer militar que diga — como os americanos fizeram dois dias depois — que a al-Qaida está desbaratada não é capaz de fazer algo na escala do que aconteceu em 11 de setembro. ''Nós desbaratamos a al-Qaida, a pusemos para correr'', disse o coronel David Sutherland sobre a ''Operação Martelo Relâmpago'' na província iraquiana de Diyala. ''Seu medo de encarar nossas forças prova que os terroristas sabem que não há lugar seguro para eles''. E, mais do mesmo, tudo isso é falso.


Horas depois, a al-Qaida atacou Baquba com a força de um batalhão e massacrou todos os xeques locais, que haviam sido encastelados pelas mãos dos americanos. Isso me fez lembrar o Vietnã, a guerra que George Bush assistiu dos céus do Texas — o que pode explicar o porquê dele, esta semana, misturar o fim da guerra do Vietnã com o genocídio em um outro país chamado Camboja, cuja população foi salva pelos mesmos vietnamitas contra os quais os colegas mais corajosos de Bush lutaram anos a fio.


Mas, aqui vamos nós. Eu estou cada vez mais encafifado com as inconsistências da narrativa oficial do 11 de setembro. Não apenas pelo óbvio ''non sequiturs'': onde estão as partes da aeronave (motores, etc) que atacou o Pentágono? Por que as autoridades envolvidas com o vôo 93 da United (que caiu na Pensilvânia) foram obrigadas a fechar o bico? Por que os restos do vôo 93 se espalham por quilômetros quando supostamente o avião chocou-se contra o solo ainda inteiro? Novamente, não estou falando sobre a ''pesquisa'' maluca de David Icke (Alice no País das Maravilhas e o Desastre do World Trade Center), que poderia fazer qualquer homem são tentar decorar a lista telefônica.


Eu estou me referindo a questões científicas. Se é verdade, por exemplo, que o querosene queima a 820º Celsius sob ótimas condições, como é que o aço das duas torres, cujo ponto de fusão está supostamente acima de 1.480ºC, poderiam ter entrado em colapso na mesma velocidade? Elas cairam em 8,1 segundos e 10 segundos. E a terceira torre, o World Trade Centre Building 7, ou edifício Salmon Brothers, que desmoronou em 6,6 segundos até seus alicerces às 17h20 do dia 11 de setembro? Por que ela desmoronou daquele jeito se nenhuma aeronave a atingiu? O Instituto Americano de Padrões e Tecnologia analisou a causa da destruição dos três edifícios. Eles ainda não relataram nada sobre o WTC 7. Dois proeminentes professores americanos de engenharia mecânica — com toda a certeza fora da categoria dos ''raivosos'' — processam o Instituto na Justiça contra o que vaticina o relatório final, argumentando que ele pode ser ''fraudulento ou enganador''.


Jornalisticamente, existem muitas coisas ímpares sobre o 11 de setembro. Relatórios iniciais de repórteres que afirmam terem ouvido explosões nas torres — que bem poderiam ser as estruturas se rompendo — são fáceis de desmentir. Menos o de que o relato de que o corpo de uma comissária da tripulação de um dos vôos foi descoberto nas ruas de Manhattan com suas mãos atadas. OK, então vamos assumir que isso foi só boataria de momento, assim como a lista da CIA de seqüestradores-suicidas, que incluiam três homens que estavam — e ainda estão — vivos da silva e vivendo no Oriente Médio, foi um erro inicial da inteligência americana.


Mas e o que dizer da esquisita carta supostamente escrita por Mohamed Atta, o assassino-seqüestrador egípcio de cara assustada, cujo conselho ''islâmico'' a seus cruéis camaradas — revelado pela CIA — mistificou cada amigo muçulmano que eu conheço no Oriente Médio? Atta mencionou sua família — o que nenhum muçulmano, mesmo mal-intencionado, gostaria de incluir em tal oração final. Ele lembra seus companheiros-de-morte para fazerem a primeira oração muçulmana do dia e então continua a citá-la. Mas nenhum muçulmano precisa de tal lembrança — para não dizer nada do texto da oração do ''Fajr'' que foi incluído na carta de Atta.


Deixem-me repetir mais uma vez. Eu não sou um teórico da conspiração. Poupem-me dos raivosos. Poupem-me das maquinações. Mas como todo mundo, eu gostaria de conhecer a história completa do 11 de setembro, não só porque ela foi o estopim dessa campanha lunática e meretrícia da ''guerra ao terrorismo'', que nos levou ao desastre no Iraque e Afeganistão e à maioria do Oriente Médio. Uma vez, Bush despachou alegremente seu assessor Karl Rove com a frase: ''nós somos um império agora — nós criamos nossa própria realidade''. Verdade? Então conte para a gente. Isso iria evitar que pessoas saíssem chutando as cadeiras por aí.

Foto: http://www.bairrovilaolimpia.com.br/0MuralCultural/WorldTradeCenter/WorldTradeCenterMemoria01.htm

domingo, 9 de setembro de 2007

SOS TVE

Pessoal:
Quem tem algum interesse em mídia, telecomunicações ou em canais públicos deve comparecer neste evento. Será numa sexta-feira, e a julgar por quem está coordenando (Cláudia Cardoso, do Dialógico, em uma iniciativa do Comitê RS do FNDC), será um belíssimo evento.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Festa da FABICO!!!

Quem gosta de festa boa não pode perder a já tradicional festa dos bixos da FABICO. Agende-se para dia 28 desse mês! A barbada será "3 Polar a R$5". Vai perder essa? Claro que não, né? Curte a arte do cartaz:

Se quiser reservar teu convite, manda um e-mail pra bauhauscd@bol.com.br e deixa um telefone que combinamos, ou passa lá na FABICO

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Réco-réco, Bolão e Azeitona

Conversando com um colega sobre variedades, este citou "Réco-Réco, Bolão e Azeitona". Confesso que tinha uma lembrança muito vaga, talvez fruto de alguma citação de meu pai. Esse mesmo colega fez uma breve pesquisa na internet (vivas para o Google), chegando ao site Invivo, do Fiocruz, onde foram publicados alguns trabalhos de Luiz Sá, autor desses personagens. Achei muito interessante, e resolvi dar uma "palhinha" aqui, no PENSAMENTO DIVERSO. Vale a pena visitar, pois conta um pouco da história desse cartunista, além de apresentar outros trabalhos.
Aproveitem (clique na imagem pra ver no tamanho original)...

Quando o pensar é crime...

Esta mensagem copiei inteira do Diário Gauche.
Porquê? Porque tortura é um assunto sério e pouco comentado no Brasil; porque muito têm se falado em ditadura, mas pouco se conhece; porque mente-se falando em "revolução de 64", quando na realidade foi um duríssimo golpe CONTRA a democracia; e porque essa atual geração de jovens (felizmente) não conhece as barbaridades que ocorreram há pouco tempo em nossa nação, com a absoluta conivência dos principais meios de comunicação de massa ainda vigentes no país. Meios de comunicação esses que sensibilizam-se (legitimamente) com as vítimas do vôo da TAM (creditando uma suposta responsabilidade pelo acidente ao governo), mas que por tanto tempo, e ainda, encobriram o terror que castigou tantos seres humanos cujo grande crime foi exercer seu direito ao pensamento livre, ao pensamento diverso.
Tortura, NUNCA MAIS!

Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

A cumplicidade entre a mídia e a repressão

O relato abaixo serve para demonstrar a ação combinada e orgânica entre a repressão da ditadura militar de 64 e os órgãos da mídia oligárquica no Brasil.

O assassinato de Eduardo Collen Leite, o “Bacuri” é um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos, deixando-o completamente mutilado. Quando o corpo foi entregue aos familiares estava sem orelhas, com olhos vazados e com mutilações e cortes profundos em toda a sua extensão.

Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe, quando chegava em sua casa. Passou pelo CENIMAR/RJ e DOI-CODI/RJ, onde foi visto pela ex-presa política Cecília Coimbra, já quase sem poder se locomover.

Do local da prisão, Eduardo foi levado a uma residência particular onde foi torturado. Seus gritos e de seus torturadores chamaram a atenção dos vizinhos, que avisaram a polícia. Ao constatarem de que se tratava da equipe do delegado Fleury, pediram apenas para que mudassem o local das torturas.

Após ser torturado na sede do CENIMAR, no Rio de Janeiro, Eduardo foi transferido para o 41° Distrito Policial, São Paulo, cujo delegado titular era o próprio Fleury.

Novamente transferido para o CENIMAR/RJ, Eduardo permaneceu sendo torturado até meados de setembro, quando voltou novamente para São Paulo, sendo levado para a sede do DOI/CODI. Em outubro, foi removido para o DOPS paulista, sendo encarcerado na cela 4 do chamado “ fundão” (celas totalmente isoladas).

No dia 25 de outubro, todos os jornais do País divulgaram a nota oficial do DOPS/SP relatando a morte de Joaquim Câmara Ferreira (Comandante da ALN), ocorrida em 23 de outubro. Nesta nota, foi inserida a informação de que Bacuri havia conseguido fugir, sendo ignorado seu destino. Foi encontrado nos arquivos do DOPS, a transcrição de uma mensagem recebida do DOPS/SP pela 2ª seção do IV Exército, assinada pelo coronel Erar de Campos Vasconcelos, chefe da 2ª Seção do II Exército, dizendo “que foi dado a conhecer a repórteres da imprensa falada e escrita o seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado”. O tal roteiro falava da morte súbita de Câmara Ferreira após ferir a dentadas e pontapés vários investigadores. E mais adiante diz “Eduardo Leite, o Bacuri, cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades, havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira (...) Aproveitando-se da confusão, Bacuri, (...) logrou fugir (...)”. Estava evidenciado o plano para assassinar Eduardo Collen Leite.

O testemunho de cerca de 50 presos políticos recolhidos às celas do DOPS paulista (entre eles, o gaúcho Ubiratan de Souza, da VPR) neste período prova que Eduardo jamais saíra de sua cela naqueles dias, a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura. Eduardo era carregado porque não tinha mais condições de manter-se em pé, muito menos de caminhar ou fugir, após dois meses de torturas diárias.

O comandante da tropa de choque do DOPS/SP, tenente Chiari da PM paulista, mostrou a Eduardo e a inúmeros outros presos políticos, no dia 25, os jornais que noticiavam sua fuga.

Para facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, sem que os demais prisioneiros do DOPS percebessem, o delegado Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, responsável pela carceragem do DOPS àquela época, exigiu o remanejamento total dos presos, e a remoção de Eduardo para a cela n° 1, que ficava defronte à carceragem e longe da observação dos demais presos. Seu nome foi retirado da relação de presos, as dobradiças e fechaduras de sua cela foram lubrificadas de forma a evitar ruídos que chamassem a atenção.

Os prisioneiros políticos, na tentativa de salvar a vida de seu companheiro, montaram um sistema de vigília permanente.

Aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970, Eduardo foi retirado de sua cela, arrastado pelos braços, pela falta total de condições de pôr-se em pé, com o corpo repleto de hematomas, cortes e queimaduras, sob os protestos desesperados de seus companheiros. Segundo testemunho de Ubiratan, todos os presos chegaram junto às grades e estendiam braços e mãos para cumprimentar ou simplesmente tocar em Bacuri, ao mesmo tempo que vibravam talheres e copos metálicos no ferro das grades numa demonstração de protesto pela iminente morte de um companheiro. Todos sabiam que Bacuri seria executado.

Eduardo não foi mais visto. Os carcereiros do DOPS, freqüentemente questionados sobre o destino de Bacuri, só respondiam que ele havia sido levado para interrogatórios em um andar superior. Os policiais da equipe do delegado Fleury respondiam apenas que não sabiam; apenas o policial conhecido pelo nome de Carlinhos Metralha é que afirmou que Eduardo estava no sítio particular do delegado Fleury. Tal sítio era usado pelo delegado e sua equipe para torturar os presos considerados especiais ou os que seriam certamente assassinados e, por isso, deveriam permanecer escondidos.

No dia 8 de dezembro, 109 dias após sua prisão, e 42 dias após seu seqüestro do DOPS, os grandes jornais do País publicavam nota oficial informando a morte de Eduardo em “um tiroteio nas imediações da cidade de São Sebastião”, no litoral paulista. Era evidente o conluio entre a repressão e a mídia, nesta farsa montada para eliminar Eduardo Leite.

A notícia oficial da morte de Eduardo teve um objetivo claro: tirar as condições da inclusão de seu nome na lista das pessoas a serem trocadas pela vida do Embaixador da Suíça no Brasil, que havia sido seqüestrado no dia 7 de dezembro. Seu nome seria incluído nessa lista e seria impossível soltar o preso Eduardo que, oficialmente estava foragido e, além do mais, completamente desfigurado e mutilado pela tortura.

As informações são do grupo Tortura Nunca Mais e de Ubiratan de Souza. A fotografia é do monumento Pau-de-arara de Recife, em memória dos que sofreram com a ditadura militar de 1964.

E para que serve a comunicação?

"E para que serve a comunicação?
Serve para que as pessoas se relacionem entre si, transformando-se mutuamente e a realidade que as rodeia" - Juan E. Diaz Bordenave


Powered by ScribeFire.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Vai um panfletinho aí?

A situação da "mídia guasca" (como costuma referir-se o Cristóvão Feil do blog Diário Gauche) é cada vez pior. Que aproveite-se textos prontos, de qualidade e conteúdo é prática comum e até certo ponto desejável entre os blogs, desde que dada a referência, como tenho feito aqui no PENSAMENTO DIVERSO. Mas por vezes deparamo-nos com constatações aterradoras, uma das quais tentarei relatar por aqui.
Acompanho regularmente a página de comunicação da prefeitura de Porto Alegre, destacando certos assuntos que são de interesse dos municipários e dos cidadãos. Com esse objetivo reservei uma matéria sobre os "Portais da Cidade", projeto megalomaníaco idealizado pelo governo Fogaça que trará, se executado, repercussões desconhecidas (e, em vários prognósticos, bastante nocivas) à morfologia urbana e à economia das áreas afetadas. Paralelamente a essa consulta, recebo "clippings' enviados pela assessoria de comunicação do SIMPA, sindicato ao qual sou filiado. Pois hoje pela manhã, ao ler esse "clipping" referente ao sábado deparo-me com texto conhecido, porém publicado no jornal "O Sul": o mesmo texto, a mesma foto e praticamente mesmo título, numa clara prática que chamamos atualmente de "copy & paste", ou "recorta e cola". Um jornal de grande circulação não deveria sujeitar se a esse papel de mero divulgador das versões oficiais, e sim realizar uma investigação, algum trabalho de campo e pesquisas, ou seja, deveria funcionar no sentido de informar os cidadãos, e não simplesmente reproduzir uma nota oficial, publicada em página oficial da PMPA, transformando-se assim em um mero panfleto, de valor jornalístico bastante questionável; ao menos se fizesse referência à fonte, já que não é exclusiva e tampouco isenta, resguardaria algo da credibilidade. Abaixo os insiro os textos para os leitores terem a oportunidade de comparar:



24/08/2007

Foto: Ivo Gonçalves / PMPA
Representantes do BID visitam o terminal Azenha

TRANSPORTES

Missão do BID vistoria os futuros Portais da Cidade

Os representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) Felipe Targa e Paulo Carvalho dedicaram a manhã de hoje, 24, para visitas aos locais onde serão construídos os três grandes terminais de integração que fazem parte do projeto Portais da Cidade.

Acompanhados do diretor de transportes da EPTC, Fernando Dutra Michel, e do consultor do projeto, Marco Kappel, vistoriaram os terminais Azenha e Cairu, onde hoje já funcionam estações de transporte coletivo, e o Largo Zumbi/Açorianos, que deverá abrigar o terceiro Portal. Os três espaços foram considerados apropriados para serem transformados em Portais e, ainda, podem contribuir para revitalizar áreas próximas.

A missão do BID está em Porto Alegre para definir os termos da cooperação técnica que será firmada com a prefeitura para o desenvolvimento desse projeto, que prevê um novo sistema de circulação e transporte para o centro da Capital. O BID destinará 500 mil dólares para estudos de detalhamento e qualificação do projeto. Na conclusão dos trabalhos, Esteban Diez, da divisão de finanças e infra-estrutura do banco, expôs as novas linhas de financiamento disponibilizadas, acenando com a possibilidade de um investimento maior no projeto, com contrapartidas da iniciativa privada e da prefeitura.

Para o secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Clóvis Magalhães, o resultado da missão foi positivo. "Consolidamos as informações requeridas pelo BID e mostramos que o projeto é viável e vai mudar a face do centro da cidade." Agora, o banco vai contratar uma consultoria internacional para realizar os estudos técnicos que resultarão no edital de licitação para o parceiro privado. A previsão é de que o edital seja lançado até o final do primeiro semestre de 2008.


Recorte enviado pela Kad - Comunicação Integrada (assessoria de imprensa do SIMPA):


Vamos pautar a grande imprensa?

Reproduzo texto do Animot, que deve ser de conhecimento a todo o blogueiro, jornalista e formador de opinião comprometido com o fortalecimento de nossa sociedade:

A grande imprensa vencendo mesmo quando está perdendo

A grande imprensa vem perdendo clientes e credibilidade. Isso é importante. No entanto, a grande imprensa ainda vence em um quesito fundamental, a formação da pauta de notícias e de debates. Isso ficou claro nos casos da invenção de crises aéreas e na transformação de um espetáculo em "movimento apolítico", o oximoro. Para ver como a grande imprensa ainda está vencendo nesse quesito fundamental é só ler os blogs políticos em geral, não importando a tendência dos mesmos. Para derrotar a grande imprensa é de primeira importância esvaziar as pautas por ela propostas, e isso só pode ser feito:

(1) deixando de usar a grande imprensa como fonte de informação (o que é racional, pois ela não é confiável), (2) adotando fontes de informação confiáveis (listarei algumas abaixo) e, principalmente, (3) produzindo a diferença, criando pautas sobre temas realmente importantes.
Sem isso a esfera pública permanecerá viciada pelas idéias oligárquicas da grande imprensa. (1) Então vamos lá. É preciso deixar de consumir produtos da grande imprensa. Isso quer dizer não comprar a mídia (papel, sinal eletrônico etc.), e principalmente não consumir a idéia por ela apresentada. É mais importante evitar as idéias (teses, pautas, "notícias") da grande mídia do que os veículos das idéias, os quais servem para embrulhar (no caso do papel dos jornais) ou para alterar as células do nosso corpo (no caso do sinal eletrônico). Ou seja: não leia, não ouça, não veja e principalmente não retransmita as idéias (os memes) da grande imprensa oligárquica. Assim os derrotamos pela fome, pois idéias (memes) parasitam mentes; sem mentes disponíveis, elas desaparecem. (2) Reproduzo abaixo algumas ótimas fontes de informação confiável que são consumíveis sem risco para a ecologia mental do cidadão. Sobre o Brasil: - agência Carta Maior - revista CartaCapital - Portal do Mundo do Trabalho - jornal Brasil de Fato - sítio Vi O Mundo Sobre o RS: - blog RS Urgente - EcoAgência Também há formadores de opinião respeitáveis. Eis alguns: - Mino Carta - Alon - Luis Nassif - Paulo Henrique Amorim Além disso há toda a blogosfera usualmente enlaçada por aqui e disponível para visitação aí na lateral esquerda. (3) Por fim, é preciso produzir a diferença, criar a própria pauta, e propô-la aos outros, seja para a adoção, seja para a crítica, seja para a apropriação crítica e interpretada da mesma. Isso é o mais difícil, nem sempre dá certo, exige maturidade ante as frustrações, mas há meios de se alcançar:
  1. só confie em fontes que deixam claro que idéias e interesses defendem, e veja se a fonte realmente defende as idéias e interesses que declara defender;
  2. não forme uma opinião sobre um tema antes de ouvir atentamente ao menos uma fonte confiável;
  3. desconfie de todas as informações fornecidas por uma fonte enganadora;
  4. coloque cada notícia no seu quadro mais geral (para isso você precisará ler textos que explicam o quadro mais geral, como os de Noam Chomsky);
  5. lembre sempre que a justiça social (mesmo segundo teorias liberais como a de John Rawls) está em distribuir mais frutos dos impostos aos cidadãos menos favorecidos, e em onerar com mais impostos os cidadãos mais favorecidos.

Vitória pra quem, cara pálida?

Reproduzo aqui texto enviado pela Cláudia, do Dialógico, cujo conteúdo me parece extremamente coerente, e reflete minha opinião sobre o tema. Acompanhe:

Sem mudar a estratégia, o que muda?

Alipio Freire


O autodenominado "Campo Majoritário" - CM (ou que nome fantasia queira adotar - pois trata-se de prática já absolutamente "legitimada" do ponto de vista mercadológico desde que o PFL transubstanciou-se em DEM) criou a idéia, que pretende consensual, de que o projeto que impôs e capitaneou desde os anos 1980, e que culminou com os dois mandatos presidenciais, é um projeto vitorioso. A questão, de tão singela, é cansativa. Até os tontos percebem: Vitorioso para quem, cara-pálida? A política produzida e gerenciada pelo "Campo Majoritário" e suas principais lideranças, vista a partir do que sugere a pergunta, só conduziu os trabalhadores e o povo a uma fragorosa catástrofe: a descaracterização política (de classe), por poucos, de um instrumento de luta indispensável, e cuja construção custou o esforço de tantos. O Terceiro Congresso, é preciso que fique claro, acontece meio a uma estrondosa derrota do PT (enquanto partido), se temos como referencial de avaliação um partido de trabalhadores enquanto ferramenta política de conquistas dessa classe, o que, na realidade brasileira e internacional, hoje, implica ser capaz de avançar ou pelo menos de sinalizar na direção de mudanças estruturais de interesse da classe que diz/pretende representar. E mudanças estruturais para uma agremiação onde todas as correntes reafirmam, em suas 12 teses (inclusive o CM), a questão do "socialismo democrático", implica necessariamente discutir a questão das relações de propriedade, e da concentração de riquezas. Ou é isto, ou não há por que falar em socialismo. Ou é disto que falamos, ou mergulhamos todos no perigoso terreno da empulhação e da galhofa. A estratégia perseguida desde sempre pelo PT-CM define enquanto terreno principal para travar suas lutas, as instâncias institucionais, partindo do princípio de que, para a realização das mudanças estruturais (supondo que em algum momento o CM tenha querido fazê-las, mas não de todo convencido a este respeito) passa pela conquista do Governo - da Presidência da República. Objetivo enunciado ambiguamente, ora como "chegar ao Governo", ora como "chegar ao Poder", ambigüidade quase nunca inocente, mas que, se inocente, revelaria por si mesma a falta de preparo de suas lideranças para formular políticas. Mas, se falamos a sério, a incompetância na formulação da estratégia é mais grave que a ambigüidade acima apontada. Ainda supondo, apenas para efeito do raciocínio abstrato, que o CM tem a intenção de proceder as tais mudanças estruturais, o mais espantoso e estarrecedor é a própria definição do terreno principal de luta: a instituição - onde o inimigo é o mais forte. Reza um velho princípio da arte da política e da guerra, que devemos sempre procurar trazer o inimigo para combater no terreno onde somos (ou podemos vir a ser) os mais fortes, subordinando as lutas em outras frentes às necessidades de avanço e consolidação das lutas travadas no terreno definido como principal. Pelo menos no contexto que vivemos, nos parece óbvio que o nosso terreno privilegiado de luta são as ruas e as praças, ou seja, o da organização e expressão do povo organizado, dos trabalhadores reunidos em suas organizações classistas autônomas e independentes, sejam de caráter sindical, de bairros etc.. E a estratégia do PT-CM inverte a equação. Quanta incompetência! - é a primeira expressão que nos ocorre: colocar o centro da luta no terreno onde a classe trabalhadora e o povo são mais fracos, subordinando o desenvolvimento das organizações e lutas de massa aos interesses da instituição controlada por adversários e inimigos. As classes dominantes são dominantes e exercem sua hegemonia porque estão capilarmente organizadas (nas empresas, em associações e sindicatos patronais, em partidos, clubes rotarianos e outras maçonarias, etc.). Disputar poder, disputar hegemonia é disputar a capacidade de construir essa capilaridade organizada. Não é possível imaginar que, abandonando a tarefa de construir e fortalecer as organizações (e movimentos) independentes dos trabalhadores e do povo, seremos capazes de disputar, para além da formalidade dos cargos conquistados nas instituições, a condução dos destinos políticos da República. Esclareço, disputar enquanto classe o destino político da República. Mas foi sob a batuta dos dirigentes do CM, que o PT conseguiu a proeza de eleger um governo democrático e popular em pleno refluxo dos movimentos e organizações dos trabalhadores e do povo, contrariando tudo o que ensina desde sempre a história política (e política é a luta das classes, frações, setores, segmentos de classes na defesa e disputa dos seus interesses). Ou seja: o Partido dos Trabalhadores chega à Presidência da República sem movimentos populares fortes, sem a classe trabalhadora em cena. Mistério! - logo pensamos, abandonando os saberes acumulados a respeito do assunto e nos entregando às especulações mágicas, ou às tortuosas teorizações ad hoc, para justificar o "milagre" - há sempre um que outro teórico de plantão para o malabarismo circense do circular em torno do "poder" a qualquer preço, ainda que depois de usado e alijado se arrependa. Descartada portanto a necessidade de firmar alianças com as bases que, organizadas, são o sujeito das transformações estruturais supostamente almejadas, e sem o concurso das quais nada acontecerá nessa direção, passa-se ao novo capítulo, garantir a governabilidade. Mas as bases originais do PT - os trabalhadores organizados da cidade e do campo - não estão desorganizadas e/ou enfraquecidas apenas em conseqüência das transformações no mundo do trabalho, e o desconhecimento de como aquele se reorganizou - indústria de justificativa para a inércia e atrelamento político da parte de muitos dirigentes, e que já se repete há duas gerações de trabalhadores. Acontece que na lógica eleitoreiro-institucional que preside a estratégia definida pelo CM, não são essas antigas bases que, organizadas, se fizeram sujeito político e fundaram o PT, que contam. No projeto do CM, não apenas não interessam, como atrapalham. O caminho foi cooptar o que poderia ser cooptado no nível de suas direções e abandonar "o resto" à sua própria sorte, ou à Reforma Trabalhista que se anuncia. Enfim, na mais velha maneira de fazer política, o que decide as eleições no Brasil (além da grana da elite, e por isto mesmo) são os "grotões", os "currais" dos coronéis e oligarcas: os mais miseráveis, desorganizados, reduzidos à situação de "clientes". Ou seja, para realizar o seu projeto, o CM mudou a base social do partido. E não poderia ser diferente. Se alguns aspectos importantes da política de alianças que levou o partido à Presidência persistiram velados, a construção da governabilidade fez-se escancarada. Tendo escolhido chegar ao governo com um suposto programa democrático popular - declaração genérica de intenções que a " Carta aos brasileiros" de 2001 já desmentia in limine, agora é a corda bamba - e os resultados todos conhecemos. Quanto ao assunto da "privatização" dos fundos públicos pelo partido e/ou por alguns dos dirigentes do CM, apesar de gravíssimo, é ocioso discutir, se não se discute a estratégia. O problema está umbelicalmente ligado à estratégia escolhida: chegar ao governo no bojo do descenso das lutas populares e de trabalhadores, só é possível com a utilização das mesmas armas da velha política de sempre - métodos, ética e moral não existem autônomos. São parte inseparáveis do projeto e dos seus programas, e lhes imprime sua verdadeira "natureza". Ou seja: se o Terceiro Congresso do Partido dos Trabalhadores não for capaz de dar passos no sentido de um giro radical da sua estratégia, terá sido um rito vão, apenas uma legitimação do que vem sendo imposto há mais de duas décadas pelo CM, e cuja face agora se escancara. E, não esqueçamos: os dirigentes do CM são responsáveis por todas essas mudanças na rota do PT e, embora aparentemente incompetentes para conduzir o partido numa política de garantia de direitos e conquistas para a classe trabalhadora e seus aliado (o povo), têm se demonstrado extremamente talentosos e competentes para garantir, a partir desse instrumento que foi criado ma serviço dos interesses da classe trabalhadora, para implementar e consolidar reformas e políticas neoliberais. Certamente é essa vitória que cantam.
- Alipio Freire é membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato, é jornalista e escritor; fundador do PT, ao qual permence filiado.

domingo, 26 de agosto de 2007

Isso é o que se pode chamar de "postes mijando em cachorros"...

Ainda não bem refeito do choque com a desonrosa atuação da Assembléia Legislativa do RS no caso das ações do Banrisul, que mediante manifestação de cidadãos contrários à proposta do executivo resolveram transferir a sessão para o "plenarinho", o que considerei uma grande insensibilidade de nossos deputados, deparei-mse com a seguinte notícia, publicada no Correio do Povo na quinta-feira, dia 23 desse mês:

Assembléia divulga lista sobre a invasão


O presidente da Assembléia, Frederico Antunes, entregou ontem ao secretário de Segurança, José Francisco Mallmann, o relatório da Procuradoria-Geral da Casa sobre a invasão do plenário em 14 de agosto. Ele solicitou que seja aberto processo de investigação baseado nas informações repassadas. O documento, fundamentado em levantamento do setor de segurança da Assembléia, apontou, entre os supostos incitadores dos manifestantes à desordem, os presidentes da CUT, Celso Woyciechwicz; do Cpers/Sindicato, Simone Goldschmidt; e do Sindicaixa, Roni Maslinkiewicz; o ex-presidente municipal do PT Francisco Vicente; e a diretora da Federação dos Bancários do RS, Denise Corrêa.

Correio do Povo Porto Alegre - RS - Brasil
Não sabia que seria possível, mas fiquei ainda mais apreensivo. Não bastasse a indiferença com que trataram uma manifestação legítima, de cidadãos organizados e que são contrários a essa manobra (que possivelmente resultará em privatização do Banrisul, mas no mínimo irá alterar o caráter de fomento social do banco), ainda tratam esses cidadãos como criminosos. Só mesmo nos novos tempos da república das pantalhas cidadania é considerada crime. O recado dos deputados é claro: "aqui, quem manda somos nós"; povo é só em eleições e para dar status de casa democrática. É bom lembrar que alguns hipócritas adoram referir-se à assembléia legislativa como "a casa do povo". Esquecem-se que são servidores públicos, e como tais devem todas as explicações ao povo. Caso contrário, é como se os postes estivessem mijando nos cachorros...

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Começa a aflorar a verdade sobre o Iraque

Publicado na Folha Online, via Bol Notícias (em "entretenimento"), hoje à tarde:

Documentário sobre erros na guerra do Iraque chega aos cinemas nos EUA

Depois de vários filmes que foram uma crônica da vida dos soldados e civis nas frentes de batalha no Iraque, o diretor americano Charles Ferguson, 52, lança esta semana nos Estados Unidos uma obra que enfoca os artífices do conflito e os preparativos para iniciá-lo. Em "No End In Sight" --que levou o prêmio especial do júri no Festival de Cinema de Sudance--, o diretor explora nas telas grandes como foram tramadas as decisões para a invasão dos Estados Unidos no Iraque, em 2003. Ferguson, formado em ciências políticas, foi membro do centro de pesquisa e análise política do Washington Brookings Institute e, em 1996, ganhou US$ 133 milhões com um negócio na internet, com o qual autofinanciou seu filme de US$ 2 milhões. Com uma precisão de cirurgião, o diretor desenha de forma ferina os planos que os Estados Unidos traçaram para depois da invasão do Iraque, servindo-se do testemunho de 70 figuras-chave. Revelando uma cadeia de decisões políticas da Autoridade Provisória da Coalizão (CPA), que incluíram a dissolução do exército iraquiano, o desmantelamento do Partido Baath, de Saddam Hussein, e o fracasso para conter as desordens civis, o filme explora de forma meticulosa cada passado tramado pelos arquitetos do conflito. As conclusões resultam fulminantes e tal como afirmou um crítico esta semana: "inclusive o público mais bem informado ficará de queixo caído". Ferguson afirma que desejava fazer o filme como uma resposta ao modo com que a guerra no Iraque teria sido abordado incorretamente nos meios de comunicação. "Como especialista em ciências políticas, com muitos amigos analistas de política externa, fiquei especialmente preocupado com a qualidade da cobertura", afirmou. "Foram escritos livros muito bons sobre o Iraque, mas poucos americanos têm tempo para ler um livro de 400 páginas. Não podemos ter uma idéia geral de um problema complicado vendo televisão ou lendo os jornais", explicou. "Eu já conhecia boa parte dos fatos gerais, mas quando fui me inteirando de como era idiota e absurdo o comportamento da administração, resolvi não voltar atrás com o projeto". Para Ferguson, a grande pergunta é se os principais artífices da guerra, o ex-secretário da Defesa americana, Donald Rumsfeld, e seu adjunto Paul Wolfowitz, vão prestar contas por estes fatos. Ambos se negaram a aparecer ante as câmeras do diretor. "Estou certo de que serão julgados severamente pela história, e isso já começou", concluiu.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Lembranças de 64

Mais do Dialógico:

Golpismo em marcha!!!

Terça-feira, Julho 24, 2007

A mesma canalhada que preparou o golpe de 1º de abril de 1964, que apoiou a ditadura militar, que se desenvolveu naquele período e que ainda devasta o país, é a mesma que prepara o golpe de estado contra o Presidente Lula. Até a estratégia é igual: muita manchete sensacionalista, com mentiras deslavadas em capas, reportagens e editoriais.
Será que o povo brasileiro se dá conta do que está acontecendo? Ou será que irá cair no mesmo conto do vigário? Em 1964, a mentira como pretexto para o golpe se chamou "comunismo". A de 2007, a mentira utilizada para pretexto é "um governo que não faz nada, ineficiente e despreparado".
Não percam as leituras dos blogues abaixo. São de fundamental importância para ficarmos em alerta.
posted by Claudia Cardoso

Sobre censura e mentiras

Mensagem que transponho do Dialógico, blog especializado em Mídia, editado pelo crítico casal Eugênio Neves e Cláudia Cardoso. É muito bom, confiável e muitas vezes antecipa pautas. Vale a pena passar lá e conhecer melhor aquele espaço. Por enquanto, lê aqui:

Como montar uma mentira passo a passo

Quarta-feira, Julho 25, 2007
Conheça aqui a verdade sobre a mentira da censura governamental contra a publicidade de montadora. Não deixem de acessar todos os linques que aparecem nos textos, para ver o tamanho da empulhação, que hoje atende pelo nome de "marketing viral", uma mistura indigesta de mentira, desinformação e propaganda. Prestem atenção na falta de caráter da montadora e da agência responsável por essa "pérola viral". Tentaram maximizar o resultado com o menor custo possível, aplicando o mesmo golpe duas vezes. Leiam e espalhem. Mostremos a eles o que é marquetingue viral de verdade!
Fonte Blog do Mello:
Terça-feira, Julho 24
Peugeot explora acidente da TAM com mais de 200 mortos para vender marca
Há exatamente uma semana, fiz uma postagem aqui, Retirada de propaganda do carro é só propaganda, em que afirmava que a Peugeot estava fazendo marketing viral, quando espalhava que o governo mandou retirar do ar propaganda que brincava com a frase da ministra Marta Suplicy, “relaxa e goza”.
Na ocasião, não disse a marca do carro, porque isso era exatamente o que eles queriam. Mas hoje eu falo da Peugeot, porque dessa vez eles não querem que se denuncie a vergonhosa, ignominiosa utilização do acidente da TAM para vender sua marca.
Está lá na Meio & Mensagem de 18 de julho a seguinte informação (os destaques são meus):
"Em razão do trágico acidente aéreo ocorrido terça-feira, dia 17, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a Peugeot do Brasil e a Euro RSCG Brasil decidiram retirar do ar hoje a campanha de varejo da marca, que chamava a atenção para o problema da crise aérea brasileira. Consternados com a tragédia e em respeito às vítimas do acidente e seus familiares, as empresas preparam uma nova campanha, que deve entrar em veiculação nesta quinta-feira, dia 19".
É mentira! Eles veicularam anteriormente que o comercial sairia do ar por causa de supostas pressões do governo Lula, como demonstra reportagem de O Globo de 17 de julho (grifos e comentários são meus)
A Peugeot retirou do ar sua nova campanha publicitária, que usava como mote a crise aérea e a famosa frase “relaxa e goza”, da ministra do Turismo, Marta Suplicy. Longe de seguir apenas critérios comerciais, segundo executivos da montadora, a decisão saiu sexta-feira [13 de julho, portanto, quatro dias antes do acidente com o Airbus da TAM] após a direção da fabricante de veículos ter sofrido pressão do governo, que se disse insatisfeito com a exposição negativa da ministra.
Os pitblogueiros em seus pitblogs e a mídia antiLula em geral deitaram e rolaram com a tal censura. Faziam papel de bobo, como alertei na postagem que fiz:
O que me diverte é que os antiLula estão fazendo propaganda de carro, quando pensam que estão atacando o governo. E com que alegria eles são manipulados!
Agora estão vendo que, como no título de minha postagem, a retirada de propaganda do carro era só propaganda. Assim como a suposta consternação e o suposto respeito às vítimas divulgados na nota de Peugeot são apenas uma manipulação barata da dor dos outros, com o mesmo objetivo: valorizar a marca. A decisão de retirar o comercial do ar havia sido tomada quatro dias antes do acidente.
No caso da brincadeira com Marta, foi oportunidade. Com o acidente da TAM, oportunismo.
Como castigo, espalhem esta mensagem pela rede e usem agora o marketing viral contra a Peugeot.

Fonte Palanque do Blackão:
AGÊNCIA MENTE QUE LULA PROIBIU PUBLICIDADE DA PEUGEOT - 25 07 2007
O Blog do Mello levanta um escândalo que, pra mim, comprova que a publicidade das grandes agências e o jornalismo da Grande Mídia representam a mais pura ruindade profissional e ética. Nosso país está pior servido agora do que na época da ditadura militar. Afinal de contas, o servilismo daquela época era questão de sobrevivência. Hoje, é ou em busca de visibilidade, fama e dinheiro, ou na crença de que não vão conseguir lugar melhor para trabalhar, oou porque não têm capacidade de empreendedorismo.
Ser bom, ser competente, ser respeitoso, ser culto, ser ético não significam que basta ir lá, obedecer à pauta e ao briefing, ser criativo, saber escrever, saber layoutar, fotografar ou editar: DIZE-ME COM QUEM ANDAS QUE TE DIREI QUEM ÉS.
Vamos ao fato: assim como o prefeito do Rio de Janeiro César Maia disse que basta pôr um boateiro em cada botequim da Cidade Maravilhosa para que uma pauta de interesse da agenda do seu governo (ou de quem quer que ele queira beneficiar) se espalhe como se fosse verdade, a agência multinacional Euro RSCG Brasil adotou a estratégia do marketing viral para espalhar pela internet que seu anúncio de péssimo gosto tripudiando em cima das vítimas do Airbus da TAM, misturando alhos com bugalhos ao utilizar, para um carro da Peugeot e aproveitando a ocasião do acidente, a expressão “relaxa e goza” da política Marta ex-Suplicy.
O golpista jornal O Globo publicou primeiro e o resto da mídia golpista (e até mesmo muitos mestrandos e professores universitários de Comunicação - pasmem) caíram nesse conto.
Tudo sobre o factóide viral está nos seguintes links:
Retirada de propaganda do carro é só propaganda
Meio e Mensagem (18/07/2007 - 14:05h)
A MENTIRA D’O GLOBO (16/07/2007 23:35h)
O que é marketing viral?
O Brasil está-se tornando um país horroroso pra se viver. Não em função do assalto que sofri há cerca de um mês atrás defronte ao prédio ao lado do meu e da quase tentativa de assalto no mesmíssimo lugar (do qual não tenho como escapar para chegar em casa) ocorrida ontem. Nem por causa do caos aéreo (que é global, não é problema exclusivo e nem tampouco pior por ser no nosso país; não é coisa da ANAC, da INFRAERO, do Ministério da Defesa do Governo Lula, nem do PT). Não apenas por causa da fome e do desemprego. Não por causa da poluição ou dos transgênicos. Não é por causa do pior governo que o RS e Porto Alegre já tiveram em todos os tempos.
É por causa da mídia. O Brasil tem o pior jornalismo do mundo. Tudo porque a esmagadora maioria dos jornalistas competentes e honestos que ainda se lembram do juramento que fizeram na cerimônia de suas formaturas é covarde.
Covarde porque não servem nem pra defender a honra da sua profissão, manchada pelos interesses dos donos de 70% dos veículos do país, que arrecadam 74% da publicidade do país.
Valentia, ousadia, independência, investigação, respeito às fontes, comprovação dos fatos antes de publicar: cadê essa porra toda?!
Felizmente, o jornalismo como ele é está entrando em entropia. Tudo o que entra em entropia acaba destruindo a si mesmo em função da desorganização sistemática e crescente da praxis do seu modus operandi.
No que ele vai se transformar, ainda não sabemos. Contudo, o modelo atual está indo para o buraco. Afinal de contas, a credibilidade da mídia está indo para as cucuias.
Até Satã vai rejeitar as almas dos maus jornalistas e dos maus publicitários.
posted by Eugênio Neves

terça-feira, 24 de julho de 2007

"In Memoriam" ao Professor Lopez

Artigo do site do Jornal Já, enaltecendo o grande professor e historiador conhecido por muitos (especialmente por seus alunos) como Lopez. Lecionou no UNIFICADO, e era professor da UFRGS. Figura realmente inesquecível, que ministrava magníficas aulas:

Luiz Roberto Lopez: Uma Presença Insubstituível

Mário Maestri *

No dia 22 de julho, cumpre-se mais um aniversário do falecimento do historiador Luiz Roberto Lopez, em Porto Alegre. Nesses três últimos anos, foi enorme o peso da falta de Lopez, para seus amigos, companheiros, familiares e, sobretudo, para o imenso público, especialmente de Porto Alegre e do RS, ao qual se dirigia, em forma sempre brilhante, como professor, historiador, articulista, conferencista, polemista.

Como professor da UFRGS, historiador da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, diretor da discoteca Pública Estado, organizador e primeiro diretor do Memorial do RS e professor de cursos de Porto Alegre, Luiz Roberto Lopez construiu vasta e significativa obra, com destaque para as sínteses históricas sobre o passado do Brasil e da Europa moderna e contemporânea, registrada em livros, ensaios, artigos, etc., em parte dispersos ou inéditos.

Homem de vasta e sólida formação humanística, interessado na música, literatura, cinema, Luiz Roberto Lopez destacou-se na docência da história da Cultura, disciplina que lecionou, por longos anos, na UFRGS. Seus dois ensaios sobre a cultura brasileira, desde a descoberta do Brasil ao pré-modernismo, lançados em 1988 pela Editora da UFRGS, constituem um pequeno clássicos da historiografia da divulgação científica, pela qualidade e elegância do texto e interpretação fina e singular das questões abordadas.

Também na área da Cultura, Luiz Roberto Lopez venceu, em 1996, o prêmio literário Açorianos, principal distinção literária sulina, com o livro Sinfonias e Catedrais: representação da história na arte, publicado também pela editora da UFRGS. Nesse trabalho dedicado à análise da cultura ocidental, a partir das grandes expressões arquitetônicas e musicais do pós-Renascimento, reafirmou sua sensibilidade e opções analíticas.

Na abertura desse trabalho, lembrava que, hoje, “o problema” “não é mais reconhecer que o elemento social permeia a produção artística”, mas sim “descobrir como isso ocorre”. Também na introdução, explicou que, no período específico abordado, um dos objetivos centrais de seu trabalho “era mostrar que, ao longo do tempo, a História dos conflitos e interesses de classe também foi uma história de criatividade e beleza”.

Nesses tempos crescentemente áridos, de vira-voltas ideológicas contínuas, Luiz Roberto Lopez revelou-se intelectual intransigente no cumprimento de sua função social. Em forma irredutível, perseverou na permanente luta, no campo da ideologia, cultura e ciência, contra as visões irracionalistas e conservadoras. Quando jovem, em plena ditadura militar, abraçou o marxismo como método de interpretação do mundo, para servir-se dele, com crescente virtuosismo, até seu falecimento prematuro, aos 57 anos.

Luiz Roberto Lopez materializou como poucos a função do intelectual marxista, em seu domínio de intervenção, através do estudo sério e permanente da sociedade, do presente e do passado, nos seus aspectos históricos, sociais e culturais, a partir de suas contradições de classes insanáveis, sempre com o objetivo de disputar, não raro em duras polêmicas, a hegemonia das consciências, na luta pela construção de mundo onde o homem seja, finalmente, algum dia, amigo do homem.

Luiz Roberto Lopez deixou aos seus companheiros, alunos e amigos muito mais que a saudade do homem culto, espirituoso, fraterno, respeitoso, amante da vida em todas as suas dimensões. Deixou um exemplo de vida a ser recolhido, seguido, difundido.

Por iniciativa de sua companheira, Vera Lúcia Remedi Pereira, e dos membros do Centro de Estudos Marxistas do RS, do qual participou, com singular assiduidade e produtividade, desde a fundação, em 1995, até o encerramento de suas atividades, em 2003, os companheiros e amigos de Luiz Roberto Lopez se reunirão, no sábado 21 de julho, às 17h, no Plenarinho da Reitoria da UFRGS, para ato de registro do terceiro ano da sua morte. Após a cerimônia, será discutida a proposta de formação de Associação dos Amigos e Companheiros do Historiador Luiz Roberto Lopez.

* historiador e professor da UPF

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Jornalismo é subversão!

Extraído do blog Ponto de Vista, publicado pelo professor Wladimir Ungaretti. Para quem não conhece, é um blog que aponta vários dos vícios de nossa "mírdia showrnalística", especialmente as tendenciosidades do Partido RBS, ou PRBS. É bom consultar, nem que seja de vez em quando, pois se estamos sendo ludibriados, que o sejamos sabendo disso, não?

Uma nova edição

por WU

Nos últimos quatro anos, religiosamente, disponibilizamos uma nova edição do sítio pontodevista nos dias 20 do mês. Mudamos a abertura e editamos de 10 a 15 novos temas, totalizando muitas vezes mais de 20 páginas. Reformulamos ou acrescentamos novas informações às já existentes. Abandonamos algumas temáticas, provisoriamente; e, retomamos outras. Aumentamos ou diminuimos o número de indicações de livros dependendo da nossa própria leitura. O Blogpontodevista, com postagem diária de segunda a sexta, ocupa uma boa parte do tempo de trabalho da equipe. Após termos criado este novo espaço aumentou - significativamente - o número de visitas. Temos um lado. Muitas vezes somos panfletários. É jogo aberto. Perseguimos a noção de que jornalismo é intransigentemente fidelidade à verdade factual, inarredável espírito crítico em relação a tudo e incansável vigilância do poder, de qualquer natureza. Jornalismo é subversão. Quando cometemos algum erro ou engano, sem qualquer dificuldade, reconhecemos. Não temos nenhuma preocupação com a coerência ou a lógica. Escrevemos com a alma. Como dizia o poeta Raine Maria Rilke: “Investigue a causa que o impele a escrever; verifique se ela estende raízes até às profundezas do seu coração. Confesse-se: morreria se estivesse proibido de escrever? Antes do mais, na hora mais serena da noite, pergunte a si próprio: ‘Devo escrever?’ Mergulhe no seu íntimo em busca de uma resposta profunda; se ela fôr afirmativa, se puder responder a essa grave pergunta com um vigoroso e singelo ‘devo’, construa sua vida em função dessa necessidade. Sua existência, mesmo na mais insignificante e indiferente das horas, tem de ser signo e testemunho dêsse impulso.” Vivemos desses impulsos. Nosso trabalho é resultante de muitas horas de leitura, do manuseio de muitos jornais e revistas, de uma atenta e criteriosa atividade de comparação de materiais, de muitas horas dentro das mais diversas livrarias, de uma atividade de constante observação das ruas, de um olhar a tudo de forma jornalística e de um deixar-se tocar por emoções e subjetividades. Desconfie de quem escreve com muita facilidade. É verdade, escrevemos com a alma. Acredite.

Sobre o "apagão aéreo"...

Também no NovaE.inf.br:

Como quartéis e redações se articulam para derrubar Lula

Mauro Carrara
À beira da Marginal do Tietê, na redação do jornal O Estado de S. Paulo, no sábado, dia 21, um alto hierarca da redação pronunciou a frase, ao fim de uma reunião com os editores: - O engraxate vai voltar para Garanhuns. E eu acho que não vai ser de avião... Nessa e em outras redações, a ordem tem sido selecionar TUDO que seja desfavorável ao governo no episódio do acidente da TAM. O clima de pressão e constrangimento tem feito com que vários jornalistas chorem as pitangas no ambiente privado. O Estadão, por exemplo, controla meticulosamente a inserção de novas matérias em seu site "ão", buscando construir uma imagem de terror e associá-la diretamente ao presidente da República. Debaixo das informações sobre a tragédia, há uma "enquete" em que se pergunta ao leitor sobre o que "marca" o governo Lula. É óbvio. Os condoídos, os desesperados e os oportunistas cedem à pulsão de encontrar um culpado e, sobre ele, soltar seus demônios. A Rede Globo, capitaneando o golpe, deu para desconsiderar o laudo do respeitado Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Colocou na tela a imagem do excêntrico comandante Brosco, aquele que quase se acidentou com o MESMO avião na noite anterior, no mesmo aeroporto. Brosco disse, conforme desejo de Ali Kamel, que a culpa é da "pista". Livrou a cara da empresa e cuspiu na opinião de outros dezenas de colegas que pousaram, sem problemas, na mesma pista. Em 31 de Março passado, a Internet recebeu uma chuva de mensagens apócrifas sobre um golpe de estado, levado a efeito para devolver o poder àqueles que o detinham durante o período militar. Nesse dias, não por acaso, houve grandes atribulações nos aeroportos. De lá para cá, recrudesceu a atitude de certos fardados e ex-fardados contra o governo legitimamente eleito. A estratégia tem sido a seguinte: - Desabilitar, sempre que possível, os sistemas de controle de vôo, de forma a aprofundar o caos aéreo e fornecer munição à imprensa. - Agir nas áreas estratégicas de informação e controle, provocando ruído nos sistemas de informação do governo. Nos sistemas de investigação, vazar o que for negativo ao governo. - Atuar na doutrinação intensiva de jovens oficiais, de modo que o novo tenentismo sirva à causa golpista, vide site Ternuma. Uma fonte me confessou na noite de sábado, dia 21: - A chance de um problema deste acontecer (pane no Cindacta-4) é de uma em um bilhão, especialmente do modo que foi e no momento em que foi. Enquanto todos esses fatos ocorrem, há imobilidade total do governo e das forças democráticas. No máximo, há um ou outro que expõe sua indignação no meio digital. Chegou a hora de se criar uma resistência midiática efetiva, que comece pelo governo. Lula precisa sair da toca, ligar o vídeo e aprender com o falecido Leonel Brizola a encarar a Rede Globo. As forças democráticas precisam agir, e rapidamente, para divulgar massivamente a informação não contaminada. É preciso haver defesa, enquanto ainda há o que se defender.

Vlado: Um caso a ser lembrado sempre

Publicado no excelente NovaE.inf.br, repercuto aqui parcial de entrevista concedida pela viúva de Vladmir Herzog, jornalista assassinado sob a tutela da União, então administrada pelos militares ditadores no Brasil. Vale a pena ler até o fim.

Clarice Herzog: “Eu não anistio os torturadores do Vlado”

Por Cylene Dworzak Dalbon
25 de outubro de 1975, Rua Tutóia, cidade de São Paulo. Nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), um homem é torturado com pancadas e choques elétricos. Seus companheiros, na sala ao lado ouvem seus gritos. O homem recusa-se a assinar um suposto depoimento por não admitir que as informações constantes naquele pedaço de papel sejam verdadeiras. Ele não escrevera nenhuma palavra daquilo. Em um ato de indignação, rasga o papel. E num ato de maior indignação ainda, mesclado a ira, seu torturador o esbofeteia. Os amigos, na outra sala, não ouvem mais seus gritos. Algumas horas mais tarde, dentro de uma cela no mesmo departamento, uma foto do homem morto, amarrado por uma tira de pano em um pequeno pedaço de ferro no alto da cela. O Inquérito Policial Militar, IPM dá como causa da morte suicídio por enforcamento. Esta era a versão oficial sustentada pelos militares e ignorada pela família. Vladimir Herzog havia sido assassinado e seus torturadores haviam montado uma farsa grotesca para encobrir a barbaridade que haviam feito. O relato acima caberia muito bem em um romance policial. Mas não é ficção. O fato tenebroso e covarde existiu. Quando os gritos silenciaram, Vladimir Herzog estava morto. Inicia-se então, o começo da luta pela abertura política na história ditatorial que acabaria de fato, 10 anos depois, em 1985. Vlado, como era conhecido por familiares e amigos, é hoje um símbolo, e não só para os jornalistas. E está tão vivo na memória de quem presenciou e viveu a história, como na de pessoas que se apaixonam pela emocionante história de vida de Vlado e se revoltam com a monstruosidade e tristeza de sua morte. Em entrevista exclusiva para Cylene Dworzak Dalbon, a publicitária Clarice Herzog fala do terrível outubro de 1975, quando seu marido, o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado dentro das dependências do DOI-CODI pelos órgãos de repressão da ditadura. O outubro de 1975 “O outubro de 1975 foi complicadíssimo. Ficaram na memória as coisas relacionadas ao que aconteceu com o Vlado. No começo do mês vários jornalistas foram presos. Estava havendo inclusive um encontro nacional de jornalismo e mesmo assim as prisões continuavam. Foram presos muitos jornalistas ligados ao Vlado e da TV Cultura, o Markum, o Anthony, Rodolfo Konder, o Sérgio Gomes. Foi um momento extremamente tenso. Esperávamos que o Vlado fosse preso devido a essas prisões, e discutimos muito sobre qual seria o teor de seu depoimento – o que nunca passou pelas nossas cabeça é que ele acabaria sendo morto. Vlado, naquele momento estava no Partido [Comunista Brasileiro]. Ele nunca foi muito ligado à política, ele não era comunista – aliás era bastante crítico ao partido. Na verdade, o Vlado era um intelectual, ligado a teatro, cinema, que desejava um mundo melhor, um mundo onde as idéias pudessem ser discutidas e respeitadas. Naquela época existiam duas forças contra a ditadura militar: uma era a igreja e a outra o PCB. Como o Vlado era judeu, optou pelo Partido – a sua área de atuação como militante era a discussão da situação cultural no país – a produção artística, nos vários níveis, estava sendo totalmente massacrada pela censura. O motivo da forte repressão contra o PCB, é que ele estava se tornando uma nova e forte frente e enfrentando a ditadura. Mas aconteceu o que não esperávamos que acontecesse: afinal, apesar do Vlado estar envolvido com o partido comunista, tínhamos empregos, passaporte, residência fixa e não éramos envolvidos com a luta armada.” Londres “Depois do término do contrato do Vlado com a BBC em Londres, eu retornei primeiro com as crianças e o Vlado ficou mais três meses fazendo um curso sobre TV Educativa. Era pra ele chegar ao Brasil dia 15 de dezembro de 1968 (o AI-05 foi no dia 13). Mas ele não chegou. Antes de vir para o Brasil, ele passou por Roma para se despedir do [Fernando] Birri [cineasta e guru de Vladimir Herzog] e lá em Roma viu a manchete no jornal: “Ditadura Militar no Brasil”. E aí ficou a dúvida, se voltava pra Londres, se vinha para o Brasil. E durante duas semanas permanecemos nessa dúvida. Mas a sensação que nós tínhamos é, mesmo com o A15 seria possível fazer alguma coisa aqui, valia a pena tentar. O grito da sociedade e o silencio dos judeus “A morte do Vlado foi um basta. A sociedade civil percebeu que aquilo foi a gota d´água. Na hora em que ele morreu houve uma movimentação. Ele era muito conhecido no Brasil e no exterior; então todo mundo ficou sabendo. A comunidade judaica nunca deu apoio pra nada. Isso é muito importante que se deixe claro. Não havia rabino no velório nem no enterro do Vlado. O culto ecumênico aconteceu graças ao D. Paulo [Evaristo Arns] – aliás, Dom Paulo também esteve presente no velório. Não houve apoio nenhum da comunidade judaica, muito pelo contrário. Tive apoio de amigos judeus, mas não da comunidade enquanto instituição.” Correio Brasiliense “A maneira como foi feita a matéria foi muito sensacionalista, o Correio Brasiliense foi ‘marrom’. Realmente, reconheci a foto de frente como sendo do Vlado; as outras não. A pessoa fotografada era muito parecida com ele, mas houve um engano da minha parte, que só se esclareceu quanto o Nilmário Miranda (Ministro da Comissão dos Direitos Humanos) e o General chefe da segurança do presidente Lula estiveram aqui e me mostraram o dossiê completo da pessoa que tinha sido fotografada e aí percebi que realmente aquele não era o Vlado.” A ação judicial “Foi um processo importante porque houve um resgate da justiça brasileira, do judiciário, e isso fez com que outras famílias também entrassem com o processo contra a União. Não pleiteei indenização porque queria que fosse reconhecido publicamente que o Vlado não havia se matado e sim, que havia sido assassinado; e eu tinha medo de que me pagassem a indenização sem qualquer processo porque afinal o Vlado estava sob proteção do Estado. Clara Charf e Carlos Marighela “Quando voltei de Londres, eu queria ajudar de alguma forma. Fui então apresentada a Clara Charf que na época tinha um nome de guerra, que eu não lembro qual era. Ela se encontrava, vez ou outra, com o companheiro dela. E quando ia com ele em casa, o Vlado e eu permanecíamos no andar de cima – não queríamos saber quem era a pessoa que estava na clandestinidade. Mas, um dia tive um contato breve com o companheiro da Clara porque ela comentou com ele que eu havia perdido um tio assassinado durante o Estado Novo. Então, ele subiu as escadas e me disse: fui companheiro do seu tio na prisão e posso lhe dizer que ele foi um combatente muito corajoso. E eu não sabia que ele era o Marighela, e nem queria saber. Eu tinha medo de me envolver demais.” Anistia “Eu não anistio os torturadores do Vlado. A minha opinião sobre anistia é essa.” 32 anos depois “Este ano o Vlado completou 70 anos. Dói. É uma dor amenizada, claro, mas ela sempre existe. É uma cicatriz que fica. Pode não estar mais inflamada, mas cada vez que se olha pra ela, lembra-se de toda a dor.” Saiba mais sobre Vladimir Herzog: Ditadura no Brasil: Muito além da história

Você concorda?

Artigo publicado no INFO Online:

Opinião de blogueiros vale mais, diz estudo

Segunda-feira, 23 de julho de 2007 - 09h29

Felipe Zmoginski, do Plantão INFO

Spam com PDF

Outro artigo publicado no site INFO Online:

Spammers abandonam imagens e mandam PDFs

Sexta-feira, 20 de julho de 2007 - 18h20

SÃO PAULO - Em vez de enviar e-mails com imagens, os spammers agora remetem mensagens com arquivos PDF anexos. Saiba por quê.

No início deste ano, os spams com imagens correspondiam a 60% do total. Em junho último, esse número já havia despencado para apenas 15%. Em compensação, as mensagens não solicitadas com arquivos PDF anexos cresceram do nada para cerca de um terço de todo o spam. Symantec e McAfee indicam números menores, entre 2% e 7%.

De todo modo, se você presta atenção para as mensagens que chegam à sua caixa postal, deve ter notado a diferença. Por que os spammers mudaram de tática? A causa, segundo a MessageLabs, decorre do aperfeiçoamento dos esquemas de proteção usados pelas empresas. Os dispositivos anti-spam barram severamente os e-mails contendo imagens. Então, os spammers buscaram outras formas de furar esse bloqueio.

Para os spammers, como parece mais "corporativo", o PDF torna mais provável que a mensagem passe pelos filtros e chegue até o usuário -- que é o objetivo final. Observa-se também que eles usam PDFs com aspecto profissional. Resta apenas uma dúvida: mesmo chegando ao usuário, é possível que ele não abra o anúncio para ler o anúncio. Esse detalhe pode matar a tendência do spam com PDF.

Carlos Machado, da INFO

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Continuar a sacrificar as vidas de soldados americanos?

Direto do "Biruta do Sul", publicado em 9 de julho (clique aqui para ver na origem):

NY Times hoje condena barbárie que exultou em 2003

O influente New York Times, assim como o seleto punhado de jornais conservadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Europa que produzem 90% das notícias que dominam o noticiário no mundo inteiro, em março de 2003 utilizou toda a sorte de ardis e mentiras para estimularem a guerra unilateral promovida por George W. Bush contra o Iraque. A despeito da ONU e de todos os demais países e governos contrários à invasao, à exceção da Inglaterra de Blair, da Itália de Berlusconi, da Espanha de Aznar e de Israel de Sharon.

O NY Times não poupou o tom macarthista na sua cruzada. Dividiu a humanidade em dois tipos, entre “os que são favoráveis aos Estados Unidos e sua estupidez” e os que são “aliados do terrorismo de Bin Laden e seu bando”. Chegaram a inventar, assim, uma nova modalidade de “patriotismo mundial”.

Com o fabuloso poder midiático mundial de pasteurizar e editorializar absolutamente todos os itens da vida moderna – da cultura aos hábitos de consumo, às preferências de educação e “até” os “prosaicos” assuntos de guerra -, este jornalismo conseguiu provisoriamente entorpecer mentes mundo afora com a falácia da “necessidade” da guerra.

Durou pouco: apesar da cegueira intencionalmente provocada, já a partir de abril de 2003, um mês depois do início da invasão anglo-estadudinense, começaram as gigantescas manifestações em todo o mundo contra a guerra.

Hoje, com mais de quatro anos de atraso, o NY Times se volta contra a estupidez que teve papel fundamental na promoção. Sem nenhuma crise de consciência e sem a mínima autocrítica, defende em editorial a imediata saída dos soldados dos Estados Unidos do Iraque.

Sustenta que a saída deve se dar “no prazo estritamente necessário para a remoção operacional e logística”, deixando o Iraque de pernas pro ar e ardendo em fogo. Assim, como se não tivessem mais nada a ver com o assunto. Decerto chamarão a “comunidade internacional” para administrar outra tragédia humanitária semeada pelo governo imperial que defendem.

O NY Times, dessa forma, segue sua sina de colonizadores bárbaros. Faz jus à condição de imprensa imperial. São os donos do mundo, e tirante os interesses dos Estados Unidos, o “resto” não interessa, ainda que sejam os destroços gerados por eles mesmos. Fazem terra arrasada do território e da vida dos outros, extraem todas as riquezas e benefícios almejados e simplesmente caem fora.

É o que fica explícito no texto do editorial de ontem do jornal – “O caminho para casa” -, que prova que quando o cinismo e a canalhice vencem, o futuro se transforma em miragem:

Está assustadoramente claro que o plano de Bush é levar a situação enquanto for presidente e depois despejar a confusão nas costas de seu sucessor. Seja qual fosse sua causa, ela está perdida.

Os líderes que Washington apoiou [sic] são incapazes de colocar os interesses nacionais acima do acerto de contas sectárias. As forças de segurança que Washington treinou se comportam como milícias sectárias [sic]. As forças militares adicionais enviadas à região de Bagdá não conseguiram mudar nada.

Continuar a sacrificar as vidas de soldados americanos é errado. A guerra está solapando a força das alianças e das forças militares do país. Ela é um perigoso desvio de atenção da luta de vida ou morte contra o terror. É um ônus sobre os contribuintes americanos e uma traição ao mundo, que precisa da aplicação sábia do poderio e dos princípios americanos. A maioria dos americanos chegou a essas conclusões meses atrás

Para ler todo o texto do editorial, que foi publicado pela FSP ...